sábado, 11 de março de 2017

O que os ídolos do coração fazem comigo? (aprendendo com o exemplo de Amnon)


Ídolo é tudo que rouba o lugar de Deus em nosso coração. Sim, é uma definição bem simplória, mas completa. Como Cristãos, devemos amar ao Senhor acima de todas as coisas (Lc 1.27) e tudo que assume essa posição se torna um ídolo, ainda que seja intrinsecamente inofensivo.

Existem ídolos bem diferentes: bens materiais, amigos, namorados(as), fama em redes sociais e há, até mesmo, quem idolatre a igreja e seus respectivos líderes. Enfim, não preciso me alongar para convencê-lo(a) da pecaminosidade dos ídolos, mas quero mostrar biblicamente como eles nos afetam de maneira profunda. Para tanto, usarei o exemplo de Amnon, filho de Davi.

2 Samuel 13 nos conta essa trágica história: Amnon estava completamente obcecado por sua meia-irmã Tamar, moça muito bela e pura (v.2), mas ele não via chances de possuí-la. Seu primo, Jonadabe, deu um conselho bem maligno: fingir de doente para que ela venha cuidar dele e, assim, ter a chance de abusá-la sexualmente (sei que você, assim como eu, não consegue deixar de sentir nojo desses sujeitos toda vez que lê essa trama). 

Aprendemos muito sobre ídolos no coração a partir desse episódio e podemos extrair lições valiosas sobre como somos afetados, veja:

1. Você manipula pessoas para conseguir o que quer: note como o grande Rei Davi se tornou um fantoche nas mãos de seu filho mimado (v.6). Amnon não teve medo de usar o seu próprio pai para conseguir o que queria. Quem está obcecado por seu ídolo manipula, até mesmo, pessoas que ama para conquistar aquilo que se idolatra.

2. Faz você perder completamente a razão: note que essa ‘paixão’ não era um caso perdido para Amnon. Tamar sugere que ele não a abuse, mas a peça ao Rei em casamento, que não a negaria. Se Amnon estivesse raciocinando bem, perceberia que não custaria nada esperar um pouco mais para casar e ser feliz pelo resto da sua vida com Tamar. Mas, entenda: nossa relação com os ídolos nunca será de amor, mas de abuso. Queremos os ídolos para que beneficiem e satisfaçam os desejos pecaminosos do nosso coração. Amnon estava pouso se importando com as súplicas de Tamar sobre o escândalo que aquilo causaria (v.13), mas ele queria somente satisfação, ainda que momentânea.

3. O prazer dos ídolos é passageiro: o prazer de ter sua irmã era tudo que Amnon queria, mas descobriu que a satisfação de sua obsessão era passageira. Logo que praticou o abuso, desprezou Tamar (v.15)

4. Ídolos cobram um alto preço: as vezes é a própria vida e Amnon é um exemplo disso. Com o ato praticado, Absalão, irmão de Tamar, ficou furioso e jurou que mataria o abusador por isso. Dito e feito. Note que demorou 2 anos para que Absalão se vingasse, mas ele o fez. Um homem tolo e inconsequente comete seus desvios e acha que nunca será cobrado por aquilo. Ledo engano. A lei da Semeadura não é uma lei brasileira, cuja existência e aplicabilidade se restringe aos papéis, mas é uma lei divina e seu executor não tarda nem falha. Amnon pagou com a própria vida pelo erro cometido.

5. Alimentar ídolos prejudica também o meu próximo: a história acabou com a morte de Amnon? Não! As consequências da briga com Absalão e sua morte iniciaram uma segunda trama que vai findar na deposição temporária do seu próprio pai Davi (2 Sm 15). Acreditar que alimentar ídolos não vai prejudicar as pessoas que estão próximas a você é inocência ou cinismo. O marido que busca pornografia, o filho viciado no Instagram, o líder obcecado por poder e reputação...todos esses ídolos prejudicam inocentes.

Nenhum de nós está livre dos ídolos, por isso espero que esse artigo o ajude a entender sobre os malefícios de mantê-los em nossos corações. Não pense que é fácil livrar-se deles, mas quem faz essa limpeza é o próprio Espírito Santo. Oremos sempre como o salmista: “...vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.24).

Em Cristo, 
Thiago Holanda.

quarta-feira, 1 de março de 2017

O que aprendo com o Consciência Cristã (e outros eventos da mesma natureza)?



Hoje cheguei da minha segunda participação na 19ª edição do Consciência Cristã, que é um evento interdenominacional e ocorre anualmente em Campina Grande (PB), sempre durante o feriado do Carnaval. Confesso que estou bem cansado, porém satisfeitíssimo, pois foram dias de muito aprendizado, confronto e consolo mediante exposições bíblicas e palestras muito bem elaboradas. Difícil até de dizer o que foi mais precioso! Mas, enfim, não é sobre minha experiência durante o evento que quero falar, mas o que aprendo e levo comigo no pós-evento.
Nós, evangélicos, gostamos muito de movimentos desse tipo. Conferências, congressos, seminários, etc. E que bom! É uma felicidade o povo de Deus ainda se reunir em eventos para receber aprendizado bíblico e fortalecer a comunhão de irmãos que, sem esses momentos, jamais se conheceriam! São oportunidades únicas...o problema nisso tudo (e quero deixar claro que isso não é culpa das organizações desses eventos) é a bagagem que trazemos para casa em nosso imaginário. Disso, vejo 3 erros muito cometidos pelos crentes:

1.    Participações superficiais: são aqueles que vão “na onda” de outros e, até mesmo, se deixam empolgar pelas ministrações, contudo, o que é dito não é absorvido. Não há uma reflexão e aplicação das verdades de Deus expostas no evento na vida daquele crente. Ele ouve, acha bonito, mas não pratica nada!

2.    Participações idólatras: são um pouco parecidos com os primeiros, a diferença é que estes costumam “puxar o bonde”[1], ou seja, se planejam com muitíssimos meses de antecedência, poupam dinheiro, perdem noites de sono com ansiedade, vibram, anotam tudo, choram, mas acaba tudo ali. O evento é o pico alto da vida espiritual daquelas pessoas e depois que retornam para suas igrejas locais tornam-se, novamente, os mesmos crentes medíocres de antes, até o dia de injetarem essa dose de adrenalina outra vez. 

3.    Soberbos e amostrados: voltam “arrotando” santidade. Sentem-se parte de uma casta superior da igreja por participarem de eventos assim e são agora membros de um clube V.I.P do céu que, aparentemente, terá espaço reservado nas cadeiras mais próximas de Jeová durante as bodas do cordeiro! Tudo porque? Porque foram agraciados por Deus com a oportunidade de participar de um momento de aprendizado que muitos irmãos, por motivos de trabalho e/ou financeiro, não puderam estar presentes. Em vez de usarem o aprendizado para abençoar outras vidas, usam-no para humilhar irmãos na fé! Lembro de uma moça da minha igreja que participou de uma escola de missões durante alguns dias e voltou para a igreja e reuniu os jovens para dizer em alto e bom som: “antes eu não sabia o que era ser uma cristã de verdade, pois nunca me ensinaram e agora eu aprendi tudo e vi o quão fútil eu era”, detalhe: essa moça sempre fez parte de uma igreja bíblica e sadia.

Bem, citei alguns erros comuns que cristãos cometem nesse contexto, mas quero responder a seguinte pergunta: o que EU procuro fazer quando retorno de eventos assim?

1.    Recapitular todo conhecimento adquirido: procuro, ao longo do evento, anotar tudo que é dito, desde ideias centrais dos preletores até dicas de livros e citações de outros autores. Sempre que posso, passo a limpo para meu computador todos os rabiscos feitos.

2.    Reaplicar e meditar esse conhecimento: é a continuação natural do passo 1. Não posso permitir que tudo fique na mente, é necessário que essas verdades desçam ao meu coração. Medito novamente nos sermões, vou em busca das passagens bíblicas de suporte e, até mesmo, procuro escrever compromissos pessoais com Deus a partir dessas verdades.

3.    Usar o aprendizado em minha igreja local: aqui é algo que acontece de forma mais dissipada. Com o passo 2, as verdades entram no meu coração e me levam para mais perto do Senhor e, a partir disso, me torno mais habilitado para ajudar meus irmãos na igreja local em momentos de pregação e/ou aconselhamento. De que adiantaria “engordar” com tantas ministrações sem usar essas “calorias” para ajudar irmãos em Cristo a correrem junto comigo?

Assim, vocês que frequentam esses eventos, procurem direcionar essa participação para glória de Deus. Contudo, isso só vai acontecer quando as verdades ali ministradas os fizerem mais humildes ao ponto de reconhecerem que precisam mais e mais da graça do Senhor, bem como entenderem que outros ao seu lado também precisam disto, e tiverem a coragem de ajuda-los nesse sentido.
Vocês que ainda não costumam frequentar esses eventos, não o deixem de fazê-lo por conta de testemunhos impróprios de pessoas que cometeram alguns dos deslizes citados! Não! Participem, aprendam, ouçam! Deus tem muito a compartilhar conosco por meio de irmãos que dedicaram, às vezes, décadas de profundo estudo e meditação nas escrituras. Ao negligenciar isso, vocês poderão perder uma grande chance de amadurecer na fé.
Para finalizar: precisamos reconhecer que a caminhada com Cristo é longa e dinâmica, não podemos parar! Alguém já disse que andar com o Senhor é como pedalar uma bicicleta: se parar, cai.

“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12 )

 Em Cristo,
Thiago Holanda.






[1] Influenciar outros para que também participem, caso você não seja familiarizado com essa gíria.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

1 Samuel 7.3 - devocional



Meditação de 23/02/2017:

Então falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a ele só, e vos livrará da mão dos filisteus. 1 Samuel 7:3

3 coisas que aprendo com esse versículo:

1)   “...tirai dentre vós os deuses estranhos...”: Deus requer exclusividade na nossa adoração. Somente ele deve sentar no trono do nosso coração.

2)   “...preparai o vosso coração...”: Estamos sempre desviando nossa atenção de Deus e mirando nas futilidades dessa vida passageira. Por isso, devemos continuamente preparar o nosso coração e apresenta-lo diante do Senhor, ainda que cheio de imperfeições.

3)   “...e vos livrará da mão dos filisteus.”: Deus NÃO promete sossego nessa terra, mas livramento. Deus não nos garante uma jornada tranquila, mas um destino certo. A paz de Deus não é, necessariamente, ausência de guerra, mas confiança mesmo em meio à guerra.

Perguntas para mim mesmo:

a)    Há algo que meu coração considera mais importante que o Senhor? Tenho orado pela remoção desse ídolo?

b)   Qual minha principal luta/aflição de hoje? Já a entreguei diante de Deus em oração?

c)    Deus tem sido a maior alegria da minha vida?

Em Cristo,
Thiago Holanda.


sábado, 21 de janeiro de 2017

O que significa ser discípulo de Jesus?



O mundo nos oferece muitos ídolos. Já na infância somos apresentados aos “super-heróis”, os quais iluminam nosso imaginário e nos fazem acreditar que, apesar dos fortes inimigos, tudo sempre terminará bem. Na adolescência conhecemos os cantores e bandas, e almejamos o sucesso por eles alcançado; veneramos  esportistas milionários que, com muito carisma, tentam nos ensinar que possuímos em nós mesmos a capacidade de conseguir tudo que desejamos; e não podemos nos esquecer também dos artistas famosos, tão admiráveis aos nossos olhos; dentre outras personalidades que passam a ser referência de glória e felicidade. Com o passar dos anos esses “mestres” vão mudando, nos apresentando sempre novas ilusões que nos apontam qual o caminho seguir.  Mas será que eles caminham de acordo com os ensinamentos de Jesus ou são meras tentativas do inimigo de desviar nosso olhar do Mestre dos mestres?
A pós-modernidade, com suas muitas “verdades”, coloca em nossa mente a ideia de que precisamos adotar a verdade que nos faz mais feliz, ou seja, é a nossa conveniência que determina no que acreditamos. Não é à toa que o mundo gospel tem vendido diferentes “pacotes de Jesus” no mercado da Fé. Existe o “Jesus paz e amor”, que deseja que você creia nele e, até mesmo, demonstre que lembra dele postando algo religioso nas suas redes sociais, mas que não interfere na sua vida e deixa você ser feliz do jeito que você quer, afinal, esse “Jesus” é todo “amor”. Tem também o “Jesus Coach”, aquele que trabalha com Programação NeuroLinguística e que é especialista em fazer você ganhar dinheiro. Com esse “Jesus”, pecado é ser pobre e graça é usar um iPhone de última geração.
Enfim, em um mundo de tantas mentiras fantasiadas de verdade, em que mestre devemos acreditar? E mais: o que significa ser discípulo?
Para nossa aula, usaremos a seguinte definição:
“Discípulo é a pessoa que aprende com um mestre, procurando não apenas conhecer seus ensinamentos, mas vivê-los.”
Portanto, discípulos de Cristo são aqueles que:
a)   Creem Nele como salvador do mundo.
b) Procuram conhecer sempre mais sobre seus ensinamentos (contidos exclusivamente na Bíblia)
c)   Aplicam esses ensinamentos em sua vida.
Em Colossenses 1.28, Paulo diz: “A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo”. A expressão “perfeito” não significa, aqui, sem defeitos, mas dá a ideia de maturidade, ou seja, o objetivo do ministério de Paulo era formar discípulos maduros, que se submetessem a Cristo em tudo. Assim, a vida de um discípulo deve apresentar as marcas de um seguidor do Mestre dos mestres. Mas que marcas são essas?

Marcas do Discípulo:
A Bíblia contém muitas passagens que enumeram as marcas definidoras do caráter do discípulo (1 Reis 2.2-3; Mateus 5.3-16, entre outras). Porém, para fins didáticos, iremos explorar somente a passagem de Colossenses 1.9-12:
Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência e longanimidade, com gozo, dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz.
a)       “sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” – a primeira marca apresentada diz respeito ao conhecimento e sabedoria. É interessante notar que Paulo une os dois conceitos. Conhecimento da verdade de Deus é obtido EXCLUSIVAMENTE por meio da revelação infalível e única de Deus, a Bíblia. Paulo, em 2 Tm 3.16, nos diz que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”. Vale salientar que a bíblia não nos ordena um estudo “seco” da Palavra de Deus, pois conhecimento “morto” não edifica, ou seja, precisamos conhecer para viver. O salmista deixa isso bem claro no Salmo 1.2: “Antes, tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.” O termo usando aqui é “meditar”. O conhecimento da verdade precisa ser acompanhado pela sabedoria e inteligência espiritual. Caso contrário, conheceremos a Palavra de Deus, mas não conheceremos o Deus da Palavra.
b)  “andar dignamente diante do Senhor” – Cristo não é somente nosso Salvador, mas também nosso Senhor. Assim, precisamos estar debaixo do Senhorio de Cristo. Paulo demonstra isso quando escreveu em Gálatas 2.19,20: “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.” Portanto, devemos imitar o “padrão Cristo” (1 Co 11.1), pois somente assim vamos agradá-lo em tudo.
c)   “frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência e longanimidade, com gozo, dando graças ao Pai” – a vida cristã é radicalmente dinâmica. Alguém, acertadamente, disse que ser cristão é como andar de bicicleta...se pararmos, caímos. Isso é posto em Filipenses 3.2-14, onde a ênfase está em verbos do tipo: “prossigo”, “alcançar” e “avançar”. Ser cristão é sentir uma profunda inquietação na alma por não ser igual a Cristo e buscar essa semelhança completa enquanto viver. Crescer é um imperativo (1 Pe 2.2). No verso 11 do texto que estamos analisando, Paulo especifica um pouco mais das características que evidenciam esse crescimento usando, inclusive, muitos termos presentes na famosa passagem do fruto do Espírito (Gálatas 5.22).
d)  “herança dos santos na luz” – aqui temos o caráter escatológico do discipulado. Discípulo é aquele que sabe que aqui nesta terra ele é peregrino. C.S Lewis diz: “Eu descobri em mim mesmo desejos os quais nada nesta Terra pode satisfazer. A única explicação lógica é que eu fui feito para outro mundo.” Como igreja, temos uma herança nos aguardando na eternidade e esse tesouro é indestrutível e não se pode roubá-lo (Mc 6.19,20). Assim, o discípulo vive na terra enquanto olha para o céu!

Conclusão:
Para finalizar, precisamos ser realistas e entender que ser discípulo de Cristo não é nada fácil. O próprio Jesus deixa isso bem claro em Marcos 8.34: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” Dietrich Bonhoeffer diz: “A salvação é de graça, mas o discipulado nos custará tudo.” Portanto, andemos na contramão do mundo e sigamos a direção que Cristo nos deixou, balizando todas as nossas ações e palavras pela Palavra de Deus, lembrando que ser discípulo não nos fará populares, ricos ou mesmo pessoas de sucesso, mas nos levará aos braços do Pai, onde desfrutaremos uma eternidade de felicidade indescritível.

Observação final: ser evangélico não é o mesmo que ser discípulo. Muitos frequentam a igreja por anos sem nunca ter experimentado o novo nascimento. Caso você, na leitura desse texto, tenha percebido que Cristo não é o Salvador e Senhor da sua vida, arrependa-se dos seus pecados e ore para que Deus o salve. Cristo é rico em misericórdia e está sempre disposto a nos perdoar por nossas falhas. Ore, em sinceridade, pedindo para que a graça te alcance! 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Quando a Teologia entra na cabeça, mas não no coração.



No último domingo o Brasil tomou um susto: “apóstolo” Valdemiro Santiago foi esfaqueado enquanto realizava um culto na sede de sua igreja, no Brás (São Paulo). Aparentemente não foi nada grave, visto que filmagens divulgadas mostram o mesmo indo embora andando, sem muita dificuldade, de sua igreja (acompanhado por um batalhão de seguranças). Mas não é sobre esse episódio que quero tratar, mas das reações ao fato.
Todo mundo sabe que Valdemiro (e seus semelhantes) não são muito bem quistos pela parte mais esclarecida da população (inclusive evangélica), e não foi surpresa nenhuma quando ouvi muitos amigos lamentarem o fato do agressor não conseguir sucesso em sua empreitada. Contudo, me causou surpresa ver cristãos dizerem o mesmo, especialmente uma página do Facebook. Vejam:

Reações como essas, vinda de cristãos, me causam grande estranheza. Essa página, em especial, é conhecida por outras declarações igualmente polêmicas e para nossa tristeza maior: existem muitos outros perfis iguais.
Confesso que refleti muito nisso tudo e fico preocupado com essa nova geração de jovens que se levanta em nossas igrejas ansiosos por defender a verdade. Expor posicionamentos tão cruéis e radicais de forma escancarada numa rede social repleta de neófitos e inimigos do evangelho é, no mínimo, um desserviço ao reino de Deus. Ah, mais um detalhe: não interessa o que o Valdemiro fez/faz, não estamos aqui falando do seu falso evangelho, muito menos de sua manipulação barata de gente ignorante para benefício próprio. Não se trata dele, mas de nós. Isso mesmo, estou falando do NOSSO coração.
Sou de berço assembleiano e sempre ouvi críticas aos que se dedicavam um pouco mais ao estudo bíblico. O alerta era sempre o mesmo: “cuidado, Teologia esfria o crente!”. Não precisa dizer o quanto acho essa ideia ridícula e que, na verdade, está mais para uma desculpa esfarrapada de crentes com preguiça de ler e que preferem confiar cegamente no que dizem seus pregadores dominicais. Porém, não vou mentir: existe um grupinho de estudiosos que faz jus a isso.
Richard Baxter, pastor inglês do Século XVII, notando um esfriamento espiritual muito danoso em seus colegas de ministério, lamentou: “não é triste que nosso coração não seja tão ortodoxo quanto nossa mente?”[1]. Isso nos revela o quão antigo é esse problema: estudar a verdade não nos faz, necessariamente, adotá-la como um estilo de vida. Jovens que tiveram a graça de conhecer um pouco mais de teologia , começaram a se afastar dessa mesma verdade tão ardorosamente defendida. Na sincera luta em defesa da verdade, esqueceram de manter o fervor. Lembremo-nos do conselho de Spurgeon aos seus alunos: “não somos passivos transmissores de infalibilidade. Somos sinceros instruidores de coisas que aprendemos, na medida em que podemos captá-las”[2].
Meu conselho aos jovens que estão calorosamente a procura de debates virtuais a fim de mostrarem todo seu recém-adquirido conhecimento teológico é: “antes de tudo, lembrem-se da sua nova identidade!” E para completar meu conselho, peço ajuda a Paul Tripp: “ou você obtém sua identidade verticalmente, de quem você é em Cristo, ou você procurará por ela horizontalmente, nas situações, experiências e relacionamentos da vida diária.”[3]
Que possamos abandonar todo nosso sentimento de superioridade e transformá-lo em gratidão por receber a graça de conhecer um pouco mais, e não somente isso, mas usar todo nosso vigor da juventude para ensinar essa verdade aos irmãos menos instruídos. Minha oração é: que a verdade e o amor possam andar de mãos dadas!
Um último aviso:
“Qualquer pessoa que deixe de ser espiritual estará automaticamente desenvolvendo uma teologia falsa, mesmo que seu pensamento seja puro, ortodoxo e afinado com sua tradição confessional. Nesse caso, “a morte está à espreita”. A teologia pode ser uma fria camisa de ferro que nos aprisiona e sufoca até a morte[4].” (Helmute Thielicke)

Em Cristo,
Thiago Holanda.




[1] Richar Baxter, MANUAL PASTORAL DE DISCIPULADO. Editora Cultura Cristã, 2015.
[2] Charles Spurgeon, LIÇÕES AOS MEUS ALUNOS – Volume 1.  Publicações Evangélicas Selecionadas, 2014.
[3] Paul Tripp. VOCAÇÃO PERIGOSA: os tremendos desafios do ministério pastoral. Editora Cultura Cristã, 2014.
[4] Hemut Thielicke. RECOMENDAÇÕES AOS JOVENS TEÓLOGOS E PASTORES. Editora Vida Nova, 2014.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Caminhando com os mortos


Gosto muito de ler, especialmente autores cristãos. Livros são companhias agradáveis para qualquer momento, pois oferecem novas ideias e alargam nossas percepções. Confesso que já chorei e ri sozinho inúmeras vezes na minha sala enquanto me deliciava com páginas cujas narrativas invadiam meu imaginário de tal forma que eu ansiava poder estar junto aos personagens da cena, ou mesmo com o autor (a fim de sugar-lhe mais algumas ideias). Paul Tripp, Jonathan Edwars, Spurgeon, Ravenhill e C.S Lewis já me fizeram sentir saudades deles inúmeras vezes. Estranho, não? Sentir saudades de quem nunca conhecemos...mas se, de fato, os livros são um pedaço de nós que persistem para sempre, então esse sentimento perde sua estranheza.
Luto comigo mesmo em relação a ideia de ter um autor favorito. Por um lado, não quero ser ingrato com as muitas benesses recebidas por tantos homens que povoam minha estante. Por outro lado, não posso negar o fato de que um autor, em especial, é o responsável por consumir horas do meu tempo em um único parágrafo. Esse homem é C.S Lewis. Não! Eu não gasto tanto tempo num parágrafo por conta do vocabulário arcaico. Pelo contrário, Lewis consegue usar uma linguagem simples, mas com uma profundidade constrangedora.
Não pense que já li toda bibliografia de Lewis ou que sou um expert na sua biografia. Nada mais longe da verdade. Li somente 4 dos seus ‘não sei quantos’ livros (são muitos) e sei muito pouco sobre sua trajetória. Contudo, suas reflexões sobre Deus e nossa existência me fazem entender como o Altíssimo é gracioso ao conceder a alguns homens o dom de traduzir em belas palavras o que há de mais complexo no viver.
O que estou prestes a falar é mais estranho ainda: já me peguei pensando em situações engraçadas: “se eu pudesse ter conhecido Lewis, como seria?”...Louco, hein? Mas se você tem um autor favorito vai me entender bem, imaginar uma conversa sobre seus trechos favoritos, uns questionamentos sobre como surgiram as ideias pro livro A, B, C...ou quem sabe dar umas caminhadas na cidade onde ele vive/viveu e tomar um café ao fim da tarde com direito a opiniões sobre outros autores.
Sei que para alguns isso pode soar tietagem, mas palavras vindas de um homem cheio da inspiração divina me impactam de tal maneira que sou capaz de escapar um pouco da realidade sacal e dar uns pulinhos no imaginário que a criança em nós nunca permitirá morrer.

Que esses prazeres nunca morram!

Em Cristo,
Thiago Holanda.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Meditação em João 7.30: soberania de Deus.


A cada página das escrituras percebemos os sinais da maravilhosa soberania de Deus. Em João 7.14-34, encontramos nosso Senhor em conflito com os religiosos da sua época, pois estes se escandalizaram com a reivindicação de Cristo de ser o enviado do Pai. Por conta dessa dissensão, os Judeus queriam prender Jesus, mas não podiam “...porque ainda não era chegada a sua hora” (Jo 7.30).
Você consegue enxergar a maravilhosa verdade por trás desse verso? Entenda: não era a falta de recursos, coragem ou mesmo tempo hábil que impedia a prisão de Cristo, mas foi a providência do Pai que impediu, afinal, não era a hora de acontecer!
Continuamente somos tentados a duvidar dos planos do Senhor com respeito ao que acontece conosco e gostamos de questioná-lo: “porque justo agora? ”. Lendo esse verso aprendemos que Deus faz tudo no tempo determinado, que é o tempo certo.
Não duvidemos da soberania de Deus, pois foi ela quem comandou a vida de homens como Abraão, Moisés, Daniel e o próprio Cristo, e essa mesma soberania trabalha também em nosso favor. Peçamos sabedoria e humildade para reconhecer a bondosa mão do Pai agindo em nosso por nós!
Que essa seja a nossa oração:
“Pai, está muito difícil compreender teus planos. Não consigo ver o teu agir na minha vida em meio a tantas coisas que estão acontecendo, e por isso perdão por minha incredulidade e sabedoria para vencer o meu “eu”. Faz-me entender que és soberano e NADA escapa do teu poder. Amém!”


Em Cristo,

Thiago Holanda.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Qual seu nível de acomodação?


Em qual dos níveis abaixo você se encontra? Sugestão: responda somente para si...a chance de você ser sincero(a) é maior!
0 = Estou sempre em busca de crescimento. Aprender coisas novas é um desafio constante e não me dou por satisfeito em relação a minhas habilidades. Sonho com posições futuras melhores do que as de hoje. Valorizo meu presente, mas estou sempre de olho no futuro.
1 = Preciso melhorar um pouco. Provavelmente já estive no nível 0, mas algumas lutas da vida, juntamente com algumas conquistas que já adquiri me deixaram meio “descansado”. Ainda não alcancei meus maiores sonhos e sei que, para conquista-los, preciso deixar de lado um certo conforto que desfruto hoje.
2 = Estou acomodado. Já lutei por alguns objetivos, mas por pouco tempo. Não lembro quando foi minha última conquista e não faço ideia de quando será a próxima. Sinto que minha vida está parada e acho bonito quando os outros conseguem alcanças sonhos, mas não sinto coragem de ir atrás e fazer o mesmo...sei, no fundo, que estou errado, mas estou sem ânimo para correr atrás do que quero!
3 = Pra que me preocupar? Acho esses “níveis” de acomodação uma bobagem e penso que minha vida se arranjará como Deus permitir...acho que preciso aproveitar o agora e entregar tudo nas mãos de Deus e, no tempo certo, Ele vai arranjar as coisas.
Respondido? Agora como você se sente? Mais motivado? Preocupado? Bem...a resposta dada é baseada numa auto avaliação do que você tem vivido até o presente momento e nada pode mudar o que passou, não existe essa coisa de RECUPERAR TEMPO PERDIDO! Tempo não se recupera...a sua reação a esse teste é que determinará como será daqui por diante. Você vai se manter estagnado? Ou vai procurar sair do comodismo e buscar uma vida mais produtiva?
Só para finalizar, gostaria de revelar os apelidos que coloquei em cada um dos níveis acima:
0 – Guerreiro
1 – Cansado
2 – Preguiçoso
3 – Defunto


Pois é...quem você continuará sendo mesmo?


Em Cristo,
Thiago Holanda