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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Sobre caixas e realidades



Ao longo da vida, a opinião das pessoas nos coloca dentro de “caixas” onde, na realidade, não pertencemos. Somos julgados injusta ou apressadamente por pessoas que, se olhassem melhor, teriam uma percepção diferente da gente. 

As vezes somos forçados a entrar em caixas do tipo “nossa, como ele é chato”, “eita, como ela é antipática”, “olha, como ele é mecânico”, “caramba, ela é se acha demais”, “eita, como ele é problemático”…e assim vai. 

As pessoas formam opiniões superficiais e injustas ao nosso respeito e colocam um ponto final, sem nos dar chance para provar nossa real essência.

Para alguns, isso não chega a ser um problema, pois simplesmente não se importam. Contudo, para a maioria esmagadora das pessoas, isso dói. A opinião injusta e as vezes maldosa que os outros formam a nosso respeito nos deixam tristes, pois muitas vezes não corresponde ao que de fato somos. 

Entendo que preocupar-se com isso é normal, e até bom em certa medida. O problema surge quando nós começamos a acreditar que realmente pertencemos àquela caixa errada que uma outra pessoa nos colocou…quando começamos a acreditar que realmente somos aquilo que os outros estão caricaturando ao nosso respeito. Ou seja, ao invés de me esforçar para ser e parecer algo diferente, eu me resigno e passo a aceitar essa falsa indenidade.

Esse é um problema difícil de lidar. Como sair dessas caixas? Ou então, como não me tornar prisioneiro delas? 

Penso que firmar-se em Cristo é a melhor maneira de entender minha real indenidade e propósitos. Cristo não nos aprisiona em caixas. Pelo contrário. Na cruz, ele rasgou todo falso julgamento ao nosso respeito, nos tirando de dentro da pior caixa de todas, aquela que estava escrito: PECADOR(A).

domingo, 21 de janeiro de 2018

Invencionices do coração.


Sempre que você for chamado por Deus para uma grande tarefa, tenha a certeza de que fortes oposições vão se levantar. Esse é o padrão bíblico de treinamento de grandes líderes. Deus não molda grandes personagens com uma vida fácil, todos sofrem lutas árduas enquanto são moldados pelo Espírito Santo. Gosto muito de uma frase do Hernandes Dias Lopes que nos lembra que “Deus sempre trabalha primeiro em nós para, depois, trabalhar através de nós!”. Uma das dificuldades que se levanta em nossa caminhada vocacional é a calúnia, ou seja, a fofoca mentirosa com o objetivo de prejudicar reputações, todos enfrentamos isso.

Neemias, enquanto lutava para reconstruir os muros de Jerusalém, enfrentou Sambalate e Tobias, estrangeiros que já de início não gostaram do projeto de Neemias, pois temiam a nação judaica e sabiam que eram potencialmente poderosos. O que estes dois homens queriam era que o povo de Deus continuasse vivendo na total miséria, pois somente assim continuariam reféns do medo. Contudo, Judá era o povo eleito de Deus e este providenciou o auxílio. O Senhor convoca, então, Neemias para essa difícil tarefa de reconstrução. Depois de muito escárnio e ameaças de invasão, Sambalate e Tobias partiram para a detratação e passaram a dizer que Neemias, de maneira ambiciosa, estava querendo se promover a rei de Israel para, no futuro, revoltar-se contra os povos vizinhos e, inclusive, contra o rei persa, que o havia enviado (Ne 6.1-9).

É duro ser acusado de algo que não se fez. Dói no coração estar com boas intenções e ser acusado de ganancioso e manipulador por aqueles cujo coração está sujo e cheio de inveja. Neemias dá uma resposta segura e digna de alguém que teme mais a Deus do que a homens: “De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu; tu, do teu coração, é que o inventas” (6.8).  Neemias procurava, de maneira desinteressada, ajudar o povo de Deus a recuperar seu lugar na história e o próprio Senhor conhecia o seu coração, mas os inimigos queriam arruinar a sua reputação com mentiras e fazer com que o próprio povo de Judá se voltasse contra ele.

Você já passou por isso? Já sofreu com as invencionices de corações alheios? Já procurou seguir a jornada que Deus colocou em sua frente e, por conta disso, teve de enfrentar oposições daqueles que, no fundo, deveriam ser seus apoiadores? Caso sim, Neemias nos convida a lembrar da nossa identidade: somos filhos e soldados do Grande Rei. E mesmo que mal intencionamdos queiram nos atingir com suas línguas maléficas, não nos preocupemos, pois o que realmente importa é ser conhecido pelo Rei. A luta que Deus nos deu não pode parar sob ameaças e calúnias, mas deve ser fortalecida por meios destes obstáculos. Toda vez que sobrevivemos a tais problemas, nos tornamos mais maduros e certos de que nossa verdadeira identidade não será abalada.

E você? Andra promovendo isso? Talvez você seja a pessoa cujo coração está cheio de invencionices e, infelizmente, anda difamando outras pessoas com palavras venenosas e manipuladoras. Talvez você tenha medo do crescimento alheio e isso o faça enxergar o quanto está afundado numa zona de conforto. É possível que junto disso tenha uma boa pitada de inveja, e ver o que Deus está fazendo na vida de outros pode colocar em evidência todos os erros que um dia você já cometeu. Somado a tudo isso, podemos também encontrar uma porção de insegurança, isso mesmo, insegurança quanto ao que de fato você é. Por que não me alegrar quando o reino do Pai está em expansão, ainda que pelas mãos de outra pessoa? Somos inseguros porque não conseguimos entender como Deus está escrevendo a nossa própria história e preferiríamos que a história do outros fosse a nossa, mas como não é, alimentamos raiva e passamos a caluniar, pois já que não posso viver a história do outro, não quero que ninguém mais a viva!

Que Deus nos dê forças para vencer as invencionices dos corações alheios e nos proteja contra as sujeiras do nossos próprios!


Em Cristo,
Thiago Holanda

21/01/2018.