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domingo, 13 de agosto de 2017

Ryan, faça por merecer...




AVISO: esse texto contém spoilers do filme.

Ontem assisti novamente ao clássico “O resgate do soldado Ryan”, dirigido por Steven Spielberg e com atuação perfeita de Tom Hanks. O filme narra a jornada de uma equipe de militares liderada pelo Capitão John (Tom Hanks) que precisa entrar numa região extremamente hostil da França durante a Segunda Guerra Mundial para resgatar um único soldado: Ryan. Motivo? Seus outros 3 irmãos já haviam morrido na guerra e o governo americano concede, em favor de sua mãe, o benefício de ter seu único filho de volta. Ao ser achado pela equipe Ryan se recusa a retornar, por conta do seu dever para com o país e a necessidade de proteger uma ponte do domínio alemão iminente, pois a mesma era muito estratégica para o avanço nazista. Mesmo revoltados com a decisão de Ryan, os soldados da equipe decidem que o certo a se fazer é ficar no local e ajuda-lo na tarefa. Pulando para o final do filme, encontramos uma cena muito emocionante: encurralados pelos inimigos, John, Ryan e poucos sobreviventes se veem nos últimos momentos de vida quando, de repente, são salvos pela Força Aérea dos aliados. Contudo, infelizmente, capitão John não resiste a um ferimento e morre. Suas últimas palavras para Ryan, após o sacrifício de quase toda a equipe e de si mesmo em prol do rapaz, foi: “Faça por merecer...”

Foi um pedido forte. A vida de inúmeros homens foi sacrificada em prol de um só. Ryan tinha que viver uma vida extremamente significativa para “compensar” tamanho sacrifício. Mas fiquei pensando: “Cristo teria dito o mesmo para nós?”. Afinal, ele se sacrificou, não é mesmo? A morte dele foi capaz de nos salvar e precisamos lembrar disso. Contudo, creio que ele jamais diria isso, sabe porquê? Porque seria uma tarefa IMPOSSÍVEL. Jamais conseguiríamos “fazer por merecer” o sacrifício Daquele que foi tão puro e perfeito aqui na Terra. Seu sacrifício foi diferente do que vimos no filme porque foi o sacrifício perfeito, de alguém que não merecia morrer por vários que mereciam. Paulo enfatiza isso em Romanos 5.8, quando diz: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Ainda que vivamos intensamente e busquemos como propósito supremo viver em prol dos outros, essa vida jamais faria por merecer a morte do Primogênito de Deus.

Porém, não é por isso que devemos viver de qualquer forma. Ainda que jamais mereçamos esse presente, precisamos viver “integralmente entregues” a vontade daquele que nos retirou da lama do pecado e nos conduziu a uma vida única de esperança.

Paul Washer conta que uma vez estava pregando no auditório de uma universidade e um jovem se levantou e perguntou:

- Como o sacrifício de um homem só, durante poucas horas, foi capaz de salvar todo o resto da humanidade? Isso não parece justo.

Paul Washer responde:

- É porque esse homem vale mais do que todos os outros juntos. Se você pega as montanhas, montes, todo o planeta, todas as estrelas, toda forma de beleza, tudo aquilo que canta, tudo aquilo que resplandece, e coloca tudo isso em uma balança, CRISTO CONTIUARÁ SENDO MAIS VALIOSO.

Que eu e você nos lembremos continuamente do sacrifício de Jesus. Não para tentar viver de modo a merecer tal benefício, pois seria impossível, mas para ser grato ao Deus cujo amor nos constrange (2 Co 5.14)


Em Cristo,



Thiago Holanda.

p.s: Para assistir a história de Paul Washer contada por ele mesmo, clique na imagem abaixo. Vale a pena, pois é emocionante.

domingo, 6 de agosto de 2017

“Um espaço entre nós” e uma vida significativa.



Hoje assisti um filme de romance bem adolescente intitulado “O espaço entre nós”. Narra a história de um rapaz que nasceu em Marte. Sua mãe foi uma astronauta renomada que morreu durante seu parto. Por conta de uma série de problemas de saúde, ele ficou impossibilitado de morar na terra e foi criado por outros astronautas na estação espacial. Contudo, aos 16 anos ele sentiu uma profunda necessidade de conhecer a Terra e procurar seu pai. Vou parar por aqui para não dar spoilers. Confesso que é um filme tosquinho, cheio de um romance meio ‘piegas’ e cenas de amor bem previsíveis.
Contudo, o filme nos faz refletir no significado da nossa vida aqui na terra. Uma cena em especial me chamou muita atenção: o rapaz está se trocando no banheiro de um supermercado e, ao sair da cabine, se depara com várias crianças que estavam prestes a “pichar” o espelho do banheiro. Ao verem que não estavam sozinhas, as crianças fugiram. Ele, meio bobalhão ainda, não entende o porquê da fuga e pega o pincel, olha para o espelho e então escreve: “Eu estive aqui.” Confesso que passei um bom tempo meditando nisso, e me perguntei: será que minha vida aqui na terra está sendo suficientemente significativa? Será que tenho deixado uma marca positiva durante minha brevíssima jornada por aqui?
Me espanta ver tantos jogando no lixo seu precioso tempo de permanência aqui na terra com coisas tão sem significado. O personagem do filme, desde o início, sabia que seu destino final não era a terra. Por motivos de saúde, ele sabia que teria de voltar pra Marte ou, então, morreria muito brevemente por aqui. Isso o impulsionou a viver essa curta estadia dando o melhor de si em tudo e deixando sua marca aonde ele pudesse. Isso foi a sua motivação ao escrever no espelho: “eu estive aqui”. Era uma marca simples, mas era uma marca. Aquele espelho do banheiro não ia ser mais o mesmo depois da passagem dele. O que eu e você temos modificado? Vamos viver 70, 80 ou Deus sabe quantos anos e não deixaremos nossa marca em nada? Não modificaremos a vida de ninguém por aqui?
Não sei você, mas eu quero uma vida de significado. Sei que sou um peregrino, assim como o personagem, e brevemente terei de voltar ao lar. Mas vou encarar essa minha breve passagem como um presente precioso e quero aproveitar cada segundo dela e deixar, não em espelhos, mas no coração daqueles que amo uma marca com os mesmo dizeres: “eu estive aqui”.

Em Cristo,
Thiago Holanda.