Quando uma geração não conhece o Senhor (Juízes 2.10-12)
Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não
conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel. Então os israelitas
fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins. Abandonaram o
Senhor, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram
e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do Senhor. (Jdg 2:10-12)
Quando o povo de Israel entrou na terra prometida, receberem uma ordem
clara e direta de que deveriam expulsar todos os seus moradores, sem exceção. A
tribo que foi comissionada para começar essa empreitada foi Judá. No início, as
ordens foram obedecidas e os cananeus sofreram grande derrotas. O capítulo 1 de
Juízes mostra o início feliz de uma história que tem um final bem triste.
O problema começou quando os Israelitas perceberam que, em vez de
expulsar os cananeus, era mais lucrativo tributá-los. “Pra que o desgaste da
guerra?”, pensaram eles. Cobrar pesados impostos era “conveniente”, pois além
de poupar os esforços de batalha, trazia o benefício do ganho financeiro. Foi o
que fizeram. Sobre esse episódio, Flávio Josefo[1] acrescenta:
“Os israelitas deixaram então de fazer guerra,
desejando apenas desfrutar em paz e com prazer os muitos bens de que se viam
cumulados. Sua abundante riqueza lançou-os no luxo e na volúpia. Não se
incomodavam mais em observar a antiga disciplina e
tornaram-se surdos à voz de Deus e às suas santas leis. Assim, atraíram-lhe a cólera, e Ele lhes fez saber que era contra a sua ordem que eles poupavam
os cananeus e que tempo viria em que, no lugar da bondade dispensada aos cananeus, experimentariam a crueldade deles.”
Foram muitos os problemas futuros que essa má decisão
causou. Primeiro, os cananeus tornaram-se motivo de laço para Israel, no sentido
de contaminar o coração do povo A proximidade geográfica da nação eleita com
esses povos gerou uma venenosa comunhão de culturas e costumes que os levou a
idolatria. O quadro piora muito a partir do capítulo 2, onde narra a morte de
Josué e toda a geração que ele tinha liderado. Começa então o declínio total da
nação, pois “surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele
havia feito por Israel”.
Note que é uma dupla ignorância. Primeiro, não
conheciam a Deus: sua pessoa, caráter, atributos, santidade, etc. Ou seja, não
tinham relacionamento com o Senhor. Segundo, não
conheciam o que ele havia feito. Há pessoas que sabem o que Deus fez, ainda que
não se relacionem com Ele. Reconhecem seus feitos, ainda que os corações estejam
distantes. Aqui vemos que nem mesmo esse aspecto estava presente. Era uma
ignorância tanto da pessoa de Deus, quanto de todos os livramentos e operações
milagrosas do passado.
Isso trouxe horríveis consequência para o povo. Vejamos:
1. “os israelitas fizeram o que o
Senhor reprova e prestaram culto aos baalins”:
afastar-se de Deus leva, necessariamente, à idolatria. É impossível um homem
deixar os caminhos de Deus e permanecer “neutro” espiritualmente. O homem é
essencialmente religioso e quando Deus não está no trono do seu coração, um
ídolo já fez morada.
2. “adoraram vários deuses dos
povos ao redor, provocando a ira do Senhor”: Como Deus
previa, os ídolos dos cananeus roubaram o coração do povo, por descuido deles
próprios. Então, a ira do Senhor se ascendeu contra o seu próprio povo e a
profecia de Juízes 2.3 se cumpriu: os deuses estranhos tornaram-se uma
armadilha mortal.
Quando uma nova geração tem o coração distante de Deus, temos que
encontrar as raízes do problema na geração anterior. Note que a falha da antiga
geração não se resumiu a não se afastar do mal por meio da desobediência da
ordem de Deus, mas também de não se aproximar suficientemente de Deus para
conhecê-lo mais e fazê-lo conhecido entre seus filhos. A nova geração não
conhecia a Deus porque não fora discipulada corretamente. Os pais não contaram
aos seus filhos quem era o Senhor e o que ele fizera.
A culpa da antiga geração foi dupla: não afastar a má influência (outros
povos) e não ensinar a próxima geração. Essa falha do povo de Israel inaugurou
uma triste história de altos e baixos do povo, onde ora o povo servia fielmente
a Deus, ora se afastava em direção aos ídolos. É o triste padrão do Antigo Testamento.
Essa falha pode nos ensinar muito como igreja hoje. Como estamos
educando as novas gerações? Qual importância estamos dando ao discipulado dos
mais jovens na igreja local? Nossa luta pelo evangelho hoje vai determinar não
somente o presente da igreja, mas o futuro também. Paulo conhecia a história de
Israel e provavelmente tinha essa preocupação em mente quando deu os seguintes
conselhos:
Assim,
poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a
serem bondosas e sujeitas a seus próprios maridos, a fim de que a palavra de
Deus não seja difamada. (Tito 2:4,5)
E as coisas
que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que
sejam também capazes de ensinar a outros. (2 Timóteo 2:2)
Paulo se preocupava com a importância de passar o bastão do evangelho
para a próxima geração. Mais velhos ensinando os mais novos é parte da dinâmica
da igreja e não podemos negligenciar isso sob o risco de colocar todo o atual
trabalho pelo reino em risco. Para encerrar esse texto, deixo o conselho do
profeta Oseias:
“Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo...” (Oséias 6:3)
Em Cristo,
Thiago Holanda.
24/02/2018.
[1] Historiador judeu, na coletânea “História dos Hebreus”, livro quinto, capítulo
2.
Importante reflexão sobre conhecer a Deus! Que possamos aproveitar e ministrar na ebd e no púlpito. A responsabilidade desta geração é noss.
ResponderExcluir