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domingo, 8 de outubro de 2023

Por que tantas lideranças cristãs estão emocionalmente doentes?


 

Nos últimos anos tenho percebido um acontecimento que, infelizmente, tem se tornado cada vez mais comum: crentes saindo das igrejas feridos por lideranças emocionalmente doentes. Líderes que, por ciúmes, incredulidade, amor ao poder ou qualquer outra razão fútil, têm machucado o rebanho do Senhor e ajudado a criar um exército de ressentidos com a igreja.

Já ouvi muitos relatos de amigos que viveram, ou conhecem quem viveu, uma situação de abuso emocional oriunda de uma liderança religiosa. Esse tipo de ferida é uma das mais difíceis de cicatrizar, já que ela nasce dentro de um ambiente que supostamente deveria nutrir amor e cuidado. Um líder cristão é um agente comissionado por Deus para cuidar do rebanho aqui na terra enquanto o Supremo Pastor não retorna, e quando esse cuidado dá lugar ao abuso, dores muito profundas são criadas.

Por que isso acontece? É difícil responder essa pergunta, e talvez sejam necessárias outras opiniões de pessoas mais experientes e maduras que eu. Contudo, recentemente ouvi um pequeno trecho de uma entrevista com um pastor americano (infelizmente, não memorizei o nome e nem o link para recomendar) que afirmava algo muito interessante:

“Liderar”, dizia ele, “é um verbo e não um substantivo. Isso significa que liderar é algo que você faz, mas que não quem você é. Então quem você é? Você é FILHO, e isso sim é um substantivo. Talvez o substantivo mais importante de todos.”

Achei essa abordagem fenomenal. Liderar é algo que fazemos para Deus, mas não é quem SOMOS em Deus. Somos filhos do seu amor. Salvos pela sua eterna graça e perdoados pela sua santa misericórdia. Essa é nossa real identidade.

Contudo, me parece que inúmeros líderes, esqueceram-se disso e hoje incorporam dentro de si um verbo que não tem função de definir quem eles são. “Deus está mais interessado em quem você é, do que no que você faz”, é o que diz Hernandes Dias Lopes. Quando, então, assumimos uma falsa identidade, perdemos o padrão de Deus para nossas vidas e, inevitavelmente, erraremos o alvo.

Não é fácil rastrear a origem disso, mas suspeito que tem a ver com uma falta de prestação de contas. É comum encontrarmos líderes que “reinam” absolutos em suas congregações, sem prestar contas de suas vidas espirituais a ninguém, colocando a si próprios em um pedestal inatingível. Não aceitam confrontação e nem mesmo nenhum tipo de questionamento a respeito da sua “super-santidade”. Supostamente cuidam do rebanho, mas não se permitem ser cuidados.

Essa falta de prestação de contas é extremamente perigosa para a igreja, pois todos nós, independente de nossas posições no reino, somos sujeitos a falha. Em todo o tempo somos desafiados e corrigir a nossa vida diante de Deus.

Um exemplo bíblico válido é o de Saul. Note que o primeiro rei de Israel foi escolhido pelo próprio Deus! É fato que Deus aconselhara o povo a não escolher um rei, mas diante da teimosia de Israel, Deus escolhe Saul. O início da jornada do primeiro rei de Israel foi muito linda. Ele foi escolhido por meio do profeta Samuel. Foi ungido e recebeu um novo coração. Profetizou diante do povo. Ele não começou com o pé esquerdo, pelo contrário, a sua jornada começou muito bem!

Então, o que aconteceu para que tudo desse errado?

Entendo que em algum momento Saul perdeu a noção da sua identidade e isso se destaca em 1 Samuel 13:8-14, quando ele, ao enfrentar os filisteus, “avança o sinal” e faz algo que jamais poderia ter feito: ofereceu holocausto, contrariando diretamente a lei de Deus. A história nos conta que a motivação de Saul era infantil: ele viu o povo se dispersando em meio a uma batalha difícil e, sem paciência para esperar Samuel, oferece sacrifícios como forma de manter o povo unido.

Note que o grande pecado de Saul aqui foi a incredulidade. Ele havia sido escolhido sobrenaturalmente por Deus. Foi miraculosamente transformado em um novo homem e já havia vencido outras batalhas anteriormente. Porém, ele não se lembrou de nada disso no momento da ansiedade e esqueceu-se completamente de Deus. Decidiu basear-se em seus próprios méritos e assumir um papel que a lei de Deus não permitia.

Acredito que em algum momento Saul pode ter pensado: “Poxa, mas eu sou O REI. Qual o problema nisso? Se eu sou o Rei, eu posso o que eu quiser, para que tanta cerimônia?”. Saul tornou-se um líder cego e embriagado pela sua própria soberba. Acreditou que, por conta da sua posição, poderia submeter a lei do Senhor aos seus caprichos e pecou. Ele esqueceu que REINAR era o que Ele fazia, mas que de fato ele não era o rei. Israel tinha outro Rei. Na verdade, Saul era apenas um servo.

Esquecer-se da sua real identidade foi a maior falha já cometida por Saul e ele pagou um preço caro por isso. Nos versículos 13 e 14, Samuel diz:

“Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou.”

Um líder jamais pode esquecer sua real identidade de filho. Se esquecermos, cairemos em pecado e causaremos desgraça não apenas a nós mesmos, mas ao povo santo do Senhor.

Se você é um líder e está lendo esse texto, CUIDADO! Não permita que a liderança o deixe cego e sem rumo. Lembre-se que, acima de qualquer outra coisa, você é filho(a) do verdadeiro Rei. Você pode até estar pastoreando o povo de Deus, mas existe um verdadeiro pastor que cuida do seu rebanho, e Ele é Jesus.

Se, por acaso, você é alguém que foi ferido por uma liderança tóxica, saiba que Cristo viu o que você passou e sofreu essa injustiça junto a você. Se doeu em você, doeu muito mais Nele. Há cura para o seu coração ressentido e você não deve culpar a igreja do Senhor por causa de alguns maus representantes. Ore e peça a Deus que envie alguém para sua vida que seja capaz de transmitir, com muito cuidado, o verdadeiro amor de Cristo.

Oro para que esse texto encontre morada em corações que precisam entender que apenas em Cristo temos a nossa verdadeira identidade.

 

Deus te abençoe.

 

Em Cristo,

Thiago Holanda – 08/10/2023.


sábado, 24 de setembro de 2022

Aprendendo a valorizar o agora.


 

Ansiedade é um mal que tem afetado quase todas as pessoas. Se tornou normal ver alguém dizer “eu sofro de ansiedade” e, em seguida, quase automaticamente, alguém replicar: “eu também”.

Um dos grandes problemas da ansiedade, além dos males físicos que causa, é o de nos “arrancar” do hoje e jogar nossa mente para um momento que ainda não se concretizou. Um amigo, de forma muito sábia, me deu essa definição: “a depressão é o excesso de passado, enquanto a ansiedade é o excesso de futuro”. A ansiedade nos rouba do presente, removendo o brilho que o “agora” tem em nossas vidas, fazendo nossa mente navegar por correntezas que ainda não chegaram.

Essa semana eu estava muito preocupado com alguns compromissos e, em determinado momento, precisei ficar cuidando da minha filha mais velha por algumas horas. Porém, eu liguei o ‘automático’ e fiquei com ela apenas no corpo presente, minha mente estava mesmo conectada nos meus compromissos. Eu não estava verdadeiramente ali com ela, pois não havia conexão real, eu estava preocupado com o que eu precisaria fazer depois dali.

Em determinado momento, minha mente despertou do automático e eu percebi a besteira que estava fazendo: ficar pensando no compromisso, vai me dar a capacidade de resolvê-lo? NÃO...ele continuará existindo, independente do quão preocupado eu esteja! Porém, o tempo de qualidade que eu deveria estar dedicando à minha filha é limitado, iria durar apenas alguns momentos. A maioria de nós, pais (me incluo nisso), não consegue perceber que o tempo com nossos filhos é extremamente escasso. Eles viverão alguns anos conosco, mas depois crescerão, ganharão o mundo, e o tempo de “brincar” será apenas uma saudade na memória (ou uma dor na consciência de que não participou disso).

Em meio aos milhares de compromissos da vida, eu também venho lutando contra a ansiedade, porém, é sempre muito difícil desligar. São muitas atividades, pendências, tarefas, reuniões, projetos, leituras, compromissos, aulas, cursos...a gente se perde em meio a um oceano de afazeres e, com isso, passamos a não mais viver nossa vida, mas sermos apenas expectadores do que os outros estão fazendo com ela.

Viver sem ansiedade é dar uma chance para o AGORA, para aquilo (ou quem) está diante dos seus olhos nesse exato momento. É saborear a vida dando uma “colherada” de cada vez, sem ficar pensando o tempo todo no próximo prato a ser servido.

É difícil demais colocar isso em prática, mas Deus nos diz em sua palavra: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” (1 Pedro 5:7)

Sim, Deus cuida de nós. E entender isso pode ser a chave para que TODAS as nossas ansiedades, medos e preocupações possam ir embora de uma vez por todas!

Jamais esqueça: Deus cuida de você!

quinta-feira, 1 de março de 2018

Filhos ou Bastardos?



Todos já ouviram o seguinte dizer: "Eu também sou filho de Deus", ou então "Fulano de tal também é filho de Deus". Mas, o que de fato nos torna filhos de Deus? Será que, realmente, todos podem reivindicar essa filiação? A Bíblia nos mostra que nem todas as pessoas são filhas do Criador, pois existem algumas condições básicas a serem cumpridas para conseguirmos essa posição e a mais fundamental delas está em João 1.12, que diz: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome". Assim, o primeiro passo para se tornar membro da família de Deus é receber a Jesus como salvador.

Entretanto, essa não é a única condição para que façamos parte da família de Deus, em Hebreus 12.8 há uma passagem muito interessante sobre o assunto:

"Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos." 

Essa passagem nos mostra a importância da disciplina (exortação) de Deus. Quando cremos em Cristo, devemos entregar o controle de nossas vidas a Ele, não tomemos decisões baseadas em nossa própria vontade, mas na vontade do nosso Pai ou, nas palavras do Apóstolo Paulo: "vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20b). Ora, como todo pai que ama, Deus nos corrige de nossos erros, às vezes pelo amor, às vezes pela dor.

Infelizmente nossa natureza pecaminosa e persistentemente maligna exige que o Senhor precise ser duro conosco, nos mostrando que precisamos tomar a direção que ELE quer!


É fato que aceitar exortações de Deus não é nada fácil, pois fere nosso orgulho e nos lembra o quão pequenos e frágeis somos. Nossa atitude nessas circunstâncias é fundamental: devemos reconhecer nosso erro e agradecer a Deus pela sua disciplina, pois nos mostra o quanto Ele nos ama (Hebreus 12.6). É triste, porém, ver que tantos não reconhecem isso, e culpam outros por seus infortúnios, geralmente apontando como alvos suas igrejas, seus irmãos em Cristo, família e, em alguns casos extremos, culpam o próprio Deus, esquecendo-se de que suas próprias escolhas trouxeram seus problemas. A Palavra do Senhor nos diz, no versículo citado no parágrafo anterior, que se agirmos com ingratidão diante dos ensinamentos do Pai, perdemos nossa condição de filhos e nos tornamos meros bastardos (filhos indesejados ou degenerados).

Devemos ter em mente que a vida cristã é um processo contínuo de mudança e amadurecimento. Deus sempre está nos moldando, com o objetivo de nos tornar servos mais humildes.

Certa feita vi uma frase que chamou a minha atenção: "A maior evidência de que Cristo transformou sua vida é que Ele ainda continua transformando, e se ele não continua transformando, então provavelmente essa transformação nunca existiu!" Resta-nos receber tudo que vem de Deus com amor, ainda que isso venha a ferir nosso orgulho ou nos trazer um passageiro sofrimento, nossa fé deve acreditar que tudo faz parte do maravilhoso plano de Deus para nossas vidas. 


Em Cristo,

Thiago Holanda

07/10/2011.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Quando uma geração não conhece o Senhor (Juízes 2.10-12)




Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel. Então os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins. Abandonaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do Senhor. (Jdg 2:10-12)

Quando o povo de Israel entrou na terra prometida, receberem uma ordem clara e direta de que deveriam expulsar todos os seus moradores, sem exceção. A tribo que foi comissionada para começar essa empreitada foi Judá. No início, as ordens foram obedecidas e os cananeus sofreram grande derrotas. O capítulo 1 de Juízes mostra o início feliz de uma história que tem um final bem triste.

O problema começou quando os Israelitas perceberam que, em vez de expulsar os cananeus, era mais lucrativo tributá-los. “Pra que o desgaste da guerra?”, pensaram eles. Cobrar pesados impostos era “conveniente”, pois além de poupar os esforços de batalha, trazia o benefício do ganho financeiro. Foi o que fizeram. Sobre esse episódio, Flávio Josefo[1] acrescenta:

Os israelitas deixaram então de fazer guerra, desejando apenas desfrutar em paz e com prazer os muitos bens de que se viam cumulados. Sua abundante riqueza lançou-os no luxo e na volúpia. Não se incomodavam mais em observar a antiga disciplina e tornaram-se surdos à voz de Deus e às suas santas leis. Assim, atraíram-lhe a cólera, e Ele lhes fez saber que era contra a sua ordem que eles poupavam os cananeus e que tempo viria em que, no lugar da bondade dispensada aos cananeus, experimentariam a crueldade deles.

Foram muitos os problemas futuros que essa má decisão causou. Primeiro, os cananeus tornaram-se motivo de laço para Israel, no sentido de contaminar o coração do povo A proximidade geográfica da nação eleita com esses povos gerou uma venenosa comunhão de culturas e costumes que os levou a idolatria. O quadro piora muito a partir do capítulo 2, onde narra a morte de Josué e toda a geração que ele tinha liderado. Começa então o declínio total da nação, pois “surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel”.

Note que é uma dupla ignorância. Primeiro, não conheciam a Deus: sua pessoa, caráter, atributos, santidade, etc. Ou seja, não tinham relacionamento com o Senhor. Segundo, não conheciam o que ele havia feito. Há pessoas que sabem o que Deus fez, ainda que não se relacionem com Ele. Reconhecem seus feitos, ainda que os corações estejam distantes. Aqui vemos que nem mesmo esse aspecto estava presente. Era uma ignorância tanto da pessoa de Deus, quanto de todos os livramentos e operações milagrosas do passado.

Isso trouxe horríveis consequência para o povo. Vejamos:

1.    “os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins”: afastar-se de Deus leva, necessariamente, à idolatria. É impossível um homem deixar os caminhos de Deus e permanecer “neutro” espiritualmente. O homem é essencialmente religioso e quando Deus não está no trono do seu coração, um ídolo já fez morada.

2.    “adoraram vários deuses dos povos ao redor, provocando a ira do Senhor”: Como Deus previa, os ídolos dos cananeus roubaram o coração do povo, por descuido deles próprios. Então, a ira do Senhor se ascendeu contra o seu próprio povo e a profecia de Juízes 2.3 se cumpriu: os deuses estranhos tornaram-se uma armadilha mortal.

Quando uma nova geração tem o coração distante de Deus, temos que encontrar as raízes do problema na geração anterior. Note que a falha da antiga geração não se resumiu a não se afastar do mal por meio da desobediência da ordem de Deus, mas também de não se aproximar suficientemente de Deus para conhecê-lo mais e fazê-lo conhecido entre seus filhos. A nova geração não conhecia a Deus porque não fora discipulada corretamente. Os pais não contaram aos seus filhos quem era o Senhor e o que ele fizera.

A culpa da antiga geração foi dupla: não afastar a má influência (outros povos) e não ensinar a próxima geração. Essa falha do povo de Israel inaugurou uma triste história de altos e baixos do povo, onde ora o povo servia fielmente a Deus, ora se afastava em direção aos ídolos. É o triste padrão do Antigo Testamento.

Essa falha pode nos ensinar muito como igreja hoje. Como estamos educando as novas gerações? Qual importância estamos dando ao discipulado dos mais jovens na igreja local? Nossa luta pelo evangelho hoje vai determinar não somente o presente da igreja, mas o futuro também. Paulo conhecia a história de Israel e provavelmente tinha essa preocupação em mente quando deu os seguintes conselhos:

Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus próprios maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada. (Tito 2:4,5)

E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros. (2 Timóteo 2:2)

Paulo se preocupava com a importância de passar o bastão do evangelho para a próxima geração. Mais velhos ensinando os mais novos é parte da dinâmica da igreja e não podemos negligenciar isso sob o risco de colocar todo o atual trabalho pelo reino em risco. Para encerrar esse texto, deixo o conselho do profeta Oseias:

Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo...” (Oséias 6:3)

Em Cristo,
Thiago Holanda.
24/02/2018.






[1] Historiador judeu, na coletânea “História dos Hebreus”, livro quinto, capítulo 2.

sábado, 6 de maio de 2017

Estabelecendo um testemunho prático para o nosso mundo hoje (por Chatru Mohinani)



No último dia 2 de maio tive o privilégio de ouvir alguns testemunhos missionários do irmão Chatru Mohinani, um indiano naturalizado americano que trabalha como engenheiro mecânico nos EUA há alguns anos. Chatru passou sua juventude na Índia e, na fase adulta, mudou-se para os EUA, onde casou e hoje tem 6 filhos e 3 netos. Chatru nunca esqueceu seu povo e, algumas vezes, usou meses de férias para viajar com a família e desenvolver trabalhos missionários em sua terra natal. Como não pode fazer isso sempre, teve a brilhante ideia de evangelizar indianos que imigram para os EUA atrás de trabalho ou estudo (acredite, são muitos). Ele compartilhou conosco algumas de suas experiências de evangelização com esses indianos, onde ele usa uma estratégia muito interessante de envolvimento e fortalecimento de laços de amizade. Através da vida de Chatru, muitos indianos (e americanos também) têm conhecido o amor de Cristo!
A palestra se dividiu em duas partes: primeiro um momento de explicação sobre particularidades da Índia e alguns testemunhos relacionados ao povo daquele país; e em segundo, exposição de alguns pontos práticos sobre como ter um testemunho cristão relevante nos dias de hoje. Essa última me abençoou de tal maneira que pensei em compartilhar com vocês que não tiveram a chance de assistir. Evidentemente, esses pontos a seguir (juntamente com os textos bíblicos de referência) são créditos do irmão Chatru, minha participação se dá somente na explanação de cada um deles, onde tentei lembrar o que foi dito na palestra.
Orientações práticas:
1.   Ore diariamente por oportunidades (de testemunhar) e, no momento, por sabedoria (Provérbios 15.1): muitas vezes deixamos excelentes oportunidades de testemunhar do amor de Cristo passarem batidas. No trabalho, faculdade, vizinhança, não importa, em qualquer um desses lugares podemos falar do amor de Cristo. Contudo, costumamos não enxergar esses momentos. Peçamos a Deus para que nos mostre essas oportunidades e nos dê sabedoria para usá-las.
2.   Estabeleça seu testemunho cedo (Colossenses 3.8-17; Mateus 5.13-16): faça questão que todos saibam que você é cristão. Que essa seja a primeira impressão que você passe aos outros. Claro que isso pode gerar repulsa por parte de alguns, mas também pode levar a curiosidade de outros que queiram conhecer mais da fé cristã e, a partir de então, observarão sua conduta com mais cuidado.
3.   Identifique-se com as pessoas (ao testemunhar, humildemente relembre seu passado no pecado - Colossenses 3.5-7): temos que deixar claro para os outros que nossa vida antes de Cristo era, também, cheia de pecados e falhas. Contudo, Cristo nos salvou por sua graça e esse convite é estendido a todos que, sinceramente, se arrependem desses pecados. Ao contar isso para as pessoas, iremos motivá-las a acreditar que Cristo pode salvá-las também!
4.   Seja constante, deixe sua luz brilhar cada vez mais forte (Provérbios 4.18): o cristão genuíno está sempre crescendo na graça e no conhecimento de Cristo. Não somos isentos de crises espirituais, porém elas são exceção na nossa vida, não a regra. As pessoas precisam enxergar que estamos sempre mudando para melhor, pois buscamos diariamente a semelhança de Cristo.
5.   Seja um bom trabalhador (Efésios 6.5,6) e tenha um estilo de vida honesto (João 3.20,21): de nada adiantará confessarmos a Cristo com nossos lábios se nosso comportamento como empregados, patrões, estudantes, estagiários, etc, não condiz com nossa fé. Em cada posição que estivermos, precisamos agir de maneira tal que todos vejam um diferencial em nós.
6.   Ore abertamente antes das refeições (Daniel 6.10,11): pode parecer uma bobagem, mas não é. Se você costuma ter refeições em lugares públicos, não tenha receio de orar em agradecimento a Deus. É uma oportunidade de atrair a atenção das pessoas (não para aparecer!) e despertar a curiosidade delas sobre sua fé em Jesus.
7.   Leia folhetos e sempre tenha alguns bons (seja sensível ao direcionamento do Espírito Santo – Atos 8.29,30): literaturas evangelísticas podem e devem ser usadas com sabedoria por dois motivos: primeiro, elas não podem ser usadas isoladamente, mas juntas com um saudável testemunho cristão; segundo, porque você deve escolher bem essa literatura (deve ser objetiva e clara em sua mensagem).
8.   Compartilhe um-a-um, seja ousado, não se envergonhe (Salmo 139.20): não tenha vergonha de abordar um colega de trabalho ou de sala com o evangelho de Cristo. Se uma oportunidade for aberta nesse sentido, não a deixe passar.
9.   Procure qualquer motivo para fazê-los ouvir boas pregações (Romanos 10.14): você pode fazer isso convidando-os para sua igreja ou mesmo recomendando bons pregadores na internet. A primeira opção é ainda mais desejável.
10.                      Carregue uma Bíblia abertamente, seja em sua mesa ou na escola (Mateus 10.32,33): assim como no ponto 6, carregar a Bíblia na mão pode atrair a atenção e a curiosidade das pessoas. Cuidado! Não se trata de querer passar a imagem de ser um “santão”, não se trata disso! Mas de deixar claro para as pessoas que você é um cristão. Em algum momento, elas vão lembrar disso e procurar você em busca de ajuda.

Enfim, esses foram os pontos ministrados pelo irmão Chatru. Me edificaram muito e creio que podem abençoar sua vida! Coloquemos em prática!

Em Cristo, Thiago Holanda.

sábado, 21 de janeiro de 2017

O que significa ser discípulo de Jesus?



O mundo nos oferece muitos ídolos. Já na infância somos apresentados aos “super-heróis”, os quais iluminam nosso imaginário e nos fazem acreditar que, apesar dos fortes inimigos, tudo sempre terminará bem. Na adolescência conhecemos os cantores e bandas, e almejamos o sucesso por eles alcançado; veneramos  esportistas milionários que, com muito carisma, tentam nos ensinar que possuímos em nós mesmos a capacidade de conseguir tudo que desejamos; e não podemos nos esquecer também dos artistas famosos, tão admiráveis aos nossos olhos; dentre outras personalidades que passam a ser referência de glória e felicidade. Com o passar dos anos esses “mestres” vão mudando, nos apresentando sempre novas ilusões que nos apontam qual o caminho seguir.  Mas será que eles caminham de acordo com os ensinamentos de Jesus ou são meras tentativas do inimigo de desviar nosso olhar do Mestre dos mestres?
A pós-modernidade, com suas muitas “verdades”, coloca em nossa mente a ideia de que precisamos adotar a verdade que nos faz mais feliz, ou seja, é a nossa conveniência que determina no que acreditamos. Não é à toa que o mundo gospel tem vendido diferentes “pacotes de Jesus” no mercado da Fé. Existe o “Jesus paz e amor”, que deseja que você creia nele e, até mesmo, demonstre que lembra dele postando algo religioso nas suas redes sociais, mas que não interfere na sua vida e deixa você ser feliz do jeito que você quer, afinal, esse “Jesus” é todo “amor”. Tem também o “Jesus Coach”, aquele que trabalha com Programação NeuroLinguística e que é especialista em fazer você ganhar dinheiro. Com esse “Jesus”, pecado é ser pobre e graça é usar um iPhone de última geração.
Enfim, em um mundo de tantas mentiras fantasiadas de verdade, em que mestre devemos acreditar? E mais: o que significa ser discípulo?
Para nossa aula, usaremos a seguinte definição:
“Discípulo é a pessoa que aprende com um mestre, procurando não apenas conhecer seus ensinamentos, mas vivê-los.”
Portanto, discípulos de Cristo são aqueles que:
a)   Creem Nele como salvador do mundo.
b) Procuram conhecer sempre mais sobre seus ensinamentos (contidos exclusivamente na Bíblia)
c)   Aplicam esses ensinamentos em sua vida.
Em Colossenses 1.28, Paulo diz: “A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo”. A expressão “perfeito” não significa, aqui, sem defeitos, mas dá a ideia de maturidade, ou seja, o objetivo do ministério de Paulo era formar discípulos maduros, que se submetessem a Cristo em tudo. Assim, a vida de um discípulo deve apresentar as marcas de um seguidor do Mestre dos mestres. Mas que marcas são essas?

Marcas do Discípulo:
A Bíblia contém muitas passagens que enumeram as marcas definidoras do caráter do discípulo (1 Reis 2.2-3; Mateus 5.3-16, entre outras). Porém, para fins didáticos, iremos explorar somente a passagem de Colossenses 1.9-12:
Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência e longanimidade, com gozo, dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz.
a)       sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” – a primeira marca apresentada diz respeito ao conhecimento e sabedoria. É interessante notar que Paulo une os dois conceitos. Conhecimento da verdade de Deus é obtido EXCLUSIVAMENTE por meio da revelação infalível e única de Deus, a Bíblia. Paulo, em 2 Tm 3.16, nos diz que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra. Vale salientar que a bíblia não nos ordena um estudo “seco” da Palavra de Deus, pois conhecimento “morto” não edifica, ou seja, precisamos conhecer para viver. O salmista deixa isso bem claro no Salmo 1.2: “Antes, tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.” O termo usando aqui é “meditar”. O conhecimento da verdade precisa ser acompanhado pela sabedoria e inteligência espiritual. Caso contrário, conheceremos a Palavra de Deus, mas não conheceremos o Deus da Palavra.
b)  andar dignamente diante do Senhor– Cristo não é somente nosso Salvador, mas também nosso Senhor. Assim, precisamos estar debaixo do Senhorio de Cristo. Paulo demonstra isso quando escreveu em Gálatas 2.19,20: Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.Portanto, devemos imitar o “padrão Cristo” (1 Co 11.1), pois somente assim vamos agradá-lo em tudo.
c)   frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência e longanimidade, com gozo, dando graças ao Pai” – a vida cristã é radicalmente dinâmica. Alguém, acertadamente, disse que ser cristão é como andar de bicicleta...se pararmos, caímos. Isso é posto em Filipenses 3.2-14, onde a ênfase está em verbos do tipo: “prossigo”, “alcançar” e “avançar”. Ser cristão é sentir uma profunda inquietação na alma por não ser igual a Cristo e buscar essa semelhança completa enquanto viver. Crescer é um imperativo (1 Pe 2.2). No verso 11 do texto que estamos analisando, Paulo especifica um pouco mais das características que evidenciam esse crescimento usando, inclusive, muitos termos presentes na famosa passagem do fruto do Espírito (Gálatas 5.22).
d)  herança dos santos na luz” – aqui temos o caráter escatológico do discipulado. Discípulo é aquele que sabe que aqui nesta terra ele é peregrino. C.S Lewis diz: “Eu descobri em mim mesmo desejos os quais nada nesta Terra pode satisfazer. A única explicação lógica é que eu fui feito para outro mundo.” Como igreja, temos uma herança nos aguardando na eternidade e esse tesouro é indestrutível e não se pode roubá-lo (Mc 6.19,20). Assim, o discípulo vive na terra enquanto olha para o céu!

Conclusão:
Para finalizar, precisamos ser realistas e entender que ser discípulo de Cristo não é nada fácil. O próprio Jesus deixa isso bem claro em Marcos 8.34: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” Dietrich Bonhoeffer diz: “A salvação é de graça, mas o discipulado nos custará tudo.” Portanto, andemos na contramão do mundo e sigamos a direção que Cristo nos deixou, balizando todas as nossas ações e palavras pela Palavra de Deus, lembrando que ser discípulo não nos fará populares, ricos ou mesmo pessoas de sucesso, mas nos levará aos braços do Pai, onde desfrutaremos uma eternidade de felicidade indescritível.

Observação final: ser evangélico não é o mesmo que ser discípulo. Muitos frequentam a igreja por anos sem nunca ter experimentado o novo nascimento. Caso você, na leitura desse texto, tenha percebido que Cristo não é o Salvador e Senhor da sua vida, arrependa-se dos seus pecados e ore para que Deus o salve. Cristo é rico em misericórdia e está sempre disposto a nos perdoar por nossas falhas. Ore, em sinceridade, pedindo para que a graça te alcance! 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

3 livros que você precisa ler antes (e depois) de casar!


Que casamento é algo complicado todo mundo já sabe, e eu sempre procuro evito falar sobre isso, afinal, ainda vou completar 2 anos de casado (dia 9 de agosto), o que me torna um mísero calouro na vida matrimonial.
O que torna turo ainda mais difícil é a falta de preparo para entrar na vida a dois. Poucas pessoas estão disponíveis para dar conselhos sábios e, quase sempre, tem gente demais pra falar besteira e poluir sua mente com ideias equivocadas sobre casamento. Pra piorar, as pessoas gostam de se preparam pra tudo: vestibular, emprego, concurso, etc, mas parece que não acham importante a preparação pro casamento.
Você deve estar se perguntando: preparar como? É isso mesmo que você tem na cabeça: oração, fazer cursos, aconselhamento e ler sobre o assunto.
É sobre esse último que eu queria conversar um pouco. Sempre fui um aficionado por leitura. Amo ler. Desde minha infância, quando meus pais me deram minha primeira coleção de ‘livros’ (quadrinhos do Zé Carioca), comecei a desenvolver o hábito de ler.
Pois bem, quando fui casar, pensei: “Estudei muito pro vestibular, e passei! Estudei muito pra um concurso, e passei! Se agora é hora de casar, o que devo fazer? Sim, estudar pra isso também!”
Então eu e minha noiva nos dirigimos a uma livraria cristã e compramos cerca 14 livros (sim, sou exagerado) com o tema casamento/família. Devorei todos. Alguns me edificaram muito, outros me ajudaram um pouco e outros me fizeram perder um tempo precioso. No geral, o aprendizado foi bastante enriquecedor e minha própria esposa, hoje, reconhece o bem que aqueles livros fizeram ao nosso relacionamento, evitando alguns problemas iniciais.
Por isso, decidi publicar esse artigo com o objetivo de compartilhar essa minha experiência e indicar os 3 melhores livros, aqueles que mais me ajudaram/ajudam na vida matrimonial. Ei-los:

 1.     AS CINCO LINGUAGENS DO AMOR (Gary Chapman): esse livro é bem popular, inclusive, entre não-cristãos. Ele me ajudou muito no sentido de entender as diferenças entre as formas de expressar amor entre as pessoas. É incrível como pude conhecer mais sobre mim mesmo e minha esposa por meio desse livro. Quando descobri que ela falava a linguagem “Tempo de Qualidade”, passei a levar muito a sério o compromisso de, semanalmente, dedicar um tempo a ela, por mais que nossas vidas estivessem muito corridas. É uma leitura simples, agradável e recheada de exemplos práticos, você vai gostar muito.


2.     QUANDO PECADORES DIZEM SIM (Dave Harvey): outro título também bastante conhecido, mas só entre os cristãos. Dave Harvey escreveu esse livro com o objetivo de mostrar aos casais que as falhas de um cônjuge nascem num coração distante de Deus e isso é um fato que abrange todos. Veja essa interessante citação: Se você é casado, ou casará em breve, está descobrindo que seu casamento não é um livro romântico. O casamento é a união de duas pessoas que trazem consigo a bagagem da vida. Essa bagagem sempre contém pecado. Com frequência, ela se abre durante a lua-de-mel; às vezes, espera até à semana seguinte. Contudo, a bagagem de pecado está sempre presente, por vezes confundindo os seus donos; por vezes, abrindo-se inesperadamente e expelindo conteúdos esquecidos. Não devemos ignorar nosso pecado, pois ele é o contexto em que o evangelho brilha mais intensamente. (...) para chegar ao âmago do casamento, devemos lidar com o âmago do pecado.” Esse livro é simples, sem deixar de ser teologicamente profundo. Uma leitura obrigatória.

3.     DEUS, CASAMENTO E FAMÍLIA (Kostenberger e David Jones): confesso que esse eu não comprei antes de casar, ganhei de presente de aniversário de uma amiga muito especial. Ele difere bastante dos outros pelo fato de não trazer princípios e aplicações para a vida a dois, mas se concentra na Teologia do Casamento, tratando-a com muito embasamento bíblico e lidando com questões importantíssimas, como: a atual crise cultural, as famílias no Antigo e Novo Testamento, divórcio, homossexualidade. Os autores vão fundo na teoria bíblica e dão lições muito preciosas. Apesar de ser profundo, esse livro pode ser lido por qualquer cristão, pois a linguagem é bem acessível.

Enfim, eu ficaria muito feliz se soubesse que, por conta desse artigo, você decidiu comprar um desses livros (ou todos) e que isso trouxe resultados abençoadores pra você e sua(seu) esposa(o)! Não quero que pense que lê-los vai livrá-lo(a) de problemas conjugais, não seja tão ingênuo. Mas, garanto, ajudará bastante numa das tarefas mais importantes da sua vida: ser um(a) esposo(a) para Glória de Deus!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Entregue seus pensamentos!



Nossos pensamentos exercem influências significativas em nossa vida, mais visíveis do que imaginamos, pois costumam ser percebidos por outros quando exteriorizados através de ações (voluntárias ou involuntárias), revelando, assim, nossas intenções.
A mente humana é uma campo de batalha que precisa ser conquistado. Quando Cristo nos resgatou, mudou a nossa mente e nos fez entender o sacrifício salvífico de Jesus. Contudo, muitas fortalezas de pecado ainda fazem morada e precisam ser destruídas. Paulo exemplifica isso em 2 Coríntios 10.5, quando afirma que precisamos levar todo nosso pensamento (entendimento) cativo à obediência em Cristo. A forma como minha mente recebe, processa e envia informações precisa estar em conformidade com a mente do Senhor. É uma guerra difícil de ser travada, mas o preço de uma vida com Cristo deve suportar o peso da cruz (Marcos 8.34).
Em Filipenses 4.8, Paulo diz: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” Como conseguir pensar somente nessas coisas? Será que Paulo estava nos recomendando algo impossível? De fato, pensar com exclusividade em coisas sãs é um exercício mental que exige muito de nós, mas como discípulos de Cristo precisamos perseguir esse alvo. Abaixo, seguem algumas recomendações de como podemos trabalhar em nossos pensamentos:

a)      “Mate” o advogado que há dentro de você: todos somos constrangidos, frequentemente, pelo Espírito Santo acerca de mudanças necessárias em nossa vida, contudo, gostamos da auto justificação, dando “desculpas” por erros e vícios. Evitemos isso!
b)      Confesse pecados e nomeio-os: gostamos de pedir perdão de forma generalizada por nossos pecados, mas que tal “dar nome aos bois”? Isso nos faz mais sinceros diante de Deus e de nós mesmos.
c)      Pregue o evangelho a si mesmo: fale continuamente consigo mesmo, lembrando do quão pecador você é e que precisa, com urgência, da graça de Deus.
d)     Evite se contaminar com o que lembra o pecado: se músicas, filmes, amizades ou qualquer outra circunstâncias, pessoas ou lugares o “ajudam” a pecar, evite tais contaminações! Nossa carne milita continuamente contra o Espírito (Gálatas 5.17), não há trégua, precisamos ser vigilantes!

Que possamos nos entregar a Deus de forma completa (1 Tessalonicenses 5.23), confiando que aquele que começou a boa obra em nós, há de aperfeiçoá-la! (Filipenses 1.6).


Em Cristo,

Thiago Holanda.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dicas práticas para um relacionamento constante e saudável com Deus.


Nosso relacionamento com Deus é o que temos de mais precioso, mas será que estamos o dando devido valor? Para nos tornarmos cristãos mais maduros e constantes, precisamos ser disciplinados e desenvolvermos bons hábitos espirituais.


Aqui vai algumas dicas:

1.  Medite na Bíblia todo dia: a Palavra de Deus não é um livro qualquer, que você ler para adquirir conhecimentos filosóficos, teóricos ou práticos. Ela é uma comunicação direta de Deus para o homem e, ao ser lida em comunhão com Deus, fortalece o cristão. É importante diferenciar o ESTUDAR e o MEDITAR. As duas atitudes são importantes, mas não são a mesma coisa. O estudo me capacita a entender os contextos, geografia, intenção dos autores, línguas originais, entre muitas outras coisas. A meditação é a leitura devocional, onde eu leio a bíblia procurando entender o que Deus quer me ensinar com aquela passagem e de que forma posso mudar minha conduta através dela. A frequência da meditação deve ser diária, pois a necessidade de fortalecimento também é. O cristão que passa vários dias sem meditar está correndo sério risco de enfraquecer e, em algum momento, ceder ao pecado. Além disso, a meditação auxilia na memorização de versículos e passagens e uma das formas que Deus usa para nos consolar e exortar é trazendo a nossa memória textos bíblicos em determinadas ocasiões! O Espírito Santo não trás a nossa memória aquilo que nunca lemos!

2.   Jejue sempre: o jejum é uma prática antiga (em diversas religiões, inclusive). Vários personagens bíblicos costumavam jejuar. Sua prática tem a ver com a “consagração” especial do corpo a Deus, traz a ideia de privar o corpo, por certo período de tempo, de um algo essencial a seu funcionamento (alimento) para lembrar que tudo que o cristão precisa, na verdade, é de Deus. O jejum é uma entrega especial a Deus do seu próprio corpo e vontade, e não tem efeito por si só, ou seja, não adianta jejuar sem estar diante de Deus, é necessário estar acompanhado de profundas orações e meditações bíblicas. Jejum sozinho é sem sentido! Aconselhamos que o Jejum seja feito, no mínimo, uma vez por semana, por um prazo de, pelo menos, 8 horas. Obviamente, não são regras rígidas, pois muita coisa está envolvida, desde o condicionamento físico da pessoa até o seu estilo de vida (horários, ritmo do trabalho, etc). Contudo, não negligencie essa prática, pois vai abençoar muito o seu relacionamento com Deus.

3.  Leia bons livros: nem todo mundo acha esse ponto muito importante e isso acontece, muitas vezes, pela cultura brasileira da não leitura. Contudo, seja diferente e cultive o hábito de ler livros escritos por verdadeiros homens de Deus. Se você não tem o hábito de ler, tente começar com biografias de homens do passado, missionários que foram pioneiros na evangelização, bem como outros heróis da fé. Logo em seguida, procure ler outros textos devocionais sobre assuntos do dia-a-dia, e, por fim, busque livros que se dedicam a exposição de algumas doutrinas bíblicas de forma mais aprofundada. Você pode (e será!) muito abençoado por Deus se dedicar tempo para leitura de bons livros cristãos. Você pode estar se perguntando, porque enfatizar o adjetivo “bons”? Infelizmente, livros também são usados para espalharem doutrinas heréticas e precisamos ter muito cuidado com isso. Deixo abaixo uma lista de autores que você pode ler tranquilamente

Autores: Hernandes Dias Lopes, Franklin Ferreira, Augustus Nicodemus, Elienai Cabral, John MacArthur, Steve Lawson, John Piper, D. Martin Loyde-Jones, AW Tozer, Gary Chapmam, Mark Dever, Dave Harvey, Kevin DeYoung, John Haggai, Irmão André, Paul Washer, CS Lewis, Joel Beeke, Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, entre outros.

4. Escreva suas orações: pode parecer um hábito estranho, mas essa prática foi amplamente utilizada por homens do passado. Oramos, quase sempre, em forma de diálogo (é o normal), mas porque não escrever também? Esse método traz algumas vantagens: aumenta a concentração no ato de orar, não há risco de “atropelar” a oração com a pressa, maior chance de lembrar de todos os pedidos de oração. Além disso, você pode guardar suas orações escritas num arquivo como recordação dos seus momentos com Deus. Grande homens de Deus do passado fizeram isso e, hoje, temos acesso a lindas orações que edificam muito a nossa vida! Como exemplo, sugiro que procure na internet “A oração de um profeta menor”, foi escrita por A.W Tozer no dia que foi consagrado para o ministério pastoral.

5. Faça uma lista intercessória: é muito comum, na vida em comunidade, que os irmãos solicitem uns aos outros que orem por motivos específicos. As causas são várias: doença, emprego, vida sentimental, busca por dons, salvação de familiares, etc. Todos nós recebemos e enviamos pedidos de orações para os outros. Infelizmente, a maioria de nós esquece quase todos, costumamos lembrar somente daqueles mais graves ou que, de alguma forma, estão relacionados a amigos e parentes mais próximos, isso não deveria acontecer. A dica é usar sempre uma caderneta, agenda ou mesmo pedaço de papel para anotar pedidos de outros irmãos, para não os esquecer diante de Deus. Imagine se todas as vezes que você pedisse oração aos outros você tivesse a certeza absoluta que iriam mesmo orar por você? Que tal começar, você mesmo, fazendo isso?

6. Procure alguém para servir: servir ao próximo, sem esperar recompensa, faz muito bem ao coração. Até os “sem religião” já comprovaram isso. Imagine servir ao próximo, sem esperar recompensa, por meio do amor sobrenatural de Cristo? É algo extremamente edificante! Deus nos incentivou isso em inúmeras passagens bíblicas. Procure no seu convívio (em especial na igreja) irmãos que você possa servir de alguma forma. As possibilidades são inúmeras: ajudar na faxina da casa de irmãos idosos, dar carona para quem mora longe, ajudar financeiramente alguém necessitado, visitar no hospital (ou em casa) quem está enfermo, etc. Quando servimos ao próximo, nosso coração se enche de alegria e nos sentimos dentro dos propósitos de Deus. Faça isso!

Em Cristo,
Thiago Holanda.