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domingo, 7 de setembro de 2025

Quem é Deus para você?


 


A forma como nós enxergamos Deus muda nossas atitudes práticas.

Na Parábola dos Talentos, o servo que é reprovado por ter enterrado seu único talento usa como justificativa sua própria visão (equivocada) sobre quem o Senhor é. No verso 24, ele diz que enxerga o Senhor como duro e alguém que ‘ajunta onde não espalha’. 

Essa visão equivocada sobre o Senhor o levou a paralisia e inércia, tornando-o o único a não gerar mais talentos. Para aquele servo, o Senhor era opressor.

Muitos hoje veem Deus da mesma forma, como o Todo-Poderoso Opressor que está pronto para castigar quem tem desempenho inferior. Mas Deus não é assim.

Deus é Abba, o pai gracioso que conhece todas as nossa limitações, pois foi Ele quem nos criou. Ele não nos julga pela régua da produtividade, mas derrama sobre nós um amor constrangedor e uma graça que vai além da nossa minúscula fé.

sábado, 7 de outubro de 2023

Tristes diante dos reis e do Rei



 “¹ e eu peguei o vinho e o dei ao rei; porém eu nunca estivera triste diante dele.” (Neemias 2:1)

Esse pequeno trecho bíblico, logo no início da bela história de Neemias, traz lições preciosas para nós a respeito da tristeza de um crente. Se você conhece a história de Neemias, sabe do homem ousado que ele foi, assumindo, para si, um encargo que certamente estava muito além das suas capacidade, mas que a fé em Deus tornou possível realizar.

A história começa com Neemias desempenhando sua função diante de Artaxerxes. Porém, aquele dia estava diferente dos outros, pois Neemias não foi capaz de esconder a tristeza que havia em seu coração diante da lamentável situação do seu povo (Mateus 12:34), e essa tristeza deve ter sido tanta que ele não foi capaz de escondê-la do rei. Ao ser questionado sobre o porquê desse semblante, Neemias se encheu de temor.

O comentário de John MacArthur a respeito desse versículo diz que os reis de antigamente não aceitavam semblantes triste diante de si, e tomavam isso como uma ofensa. Neemias temeu, pois tinha receio de uma punição por parte do rei. Felizmente, Artaxerxes reagiu de maneira compassiva e ouviu atentamente o clamor de Neemias...e, não apenas ouviu, mas, movido pelo poder de Deus, foi levado a intervir em favor do povo escolhido.

Aqui residem três belas lições. A primeira é saber que não importa se nós não pudermos demonstrar nossa tristeza e angústias diante dos “reis” humanos. Os reis humanos, cheios de si próprios, podem não aceitar a manifestação de um coração dolorido, mas o Rei perfeito e celestial jamais rejeitará a oração sincera de um coração em prantos. Podemos ser julgados ou punidos por aqueles que recusam a condição do nosso coração, mas jamais seremos rejeitados pelo Rei de toda terra. Pelo contrário, é na tristeza que Ele se faz ainda mais presente em nossa história.

A segunda lição nos ensina algo muito precioso: Deus move o coração de quem Ele quiser para tornar real seu desígnio nessa terra. Artaxerxes não era um rei temente ao Senhor, mas isso não impediu que o Rei celestial movesse o seu coração como um ribeiro de águas (Provérbios 21.1).

A terceira lição nos ensina que a tristeza é parte da vida cristã, mas não deveria ser a rotina de um servo fiel. Sim, nós sempre teremos motivos para lamentar nesta vida. Seja a perda de um ente querido, a demissão de um emprego, uma doença grave ou até mesmo a distância do Senhor...tudo isso podem e até devem ser motivo para o lamento. Porém, a vida do cristão é, acima de tudo, marcada pela alegria da presença de Deus. Neemias não estava na sua terra, fazia parte de um povo em cativeiro. Ele estava longe do seu povo e dos seus parentes. Porém, a vida dele, certamente, era marcada pela alegria, afinal, no dia que ele não demonstrou estar bem, isso logo chamou a atenção de ninguém mais, ninguém menos, do que o próprio rei.

Como está sua vida em Jesus? Você é marcado pela contínua alegria ou tristeza em sua vida? Será que, a despeito das difíceis circunstâncias, você mantém a esperança no Deus de Israel?

Mesmo que as injustiças desse mundo atinjam você, e destrocem seu coração, saiba que você tem a liberdade de chegar diante do Rei celestial e abrir o seu coração em sinceridade diante Dele. O Senhor ouvirá o seu clamor e moverá, se necessário, até o coração dos incrédulos para intervir na sua história.

Creia!

Em Cristo,

Thiago Holanda – 07 de outubro de 2023.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Jesus e os conflitos desnecessários.


 

O encontro com a mulher samaritana é um dos textos bíblicos mais valiosos e utilizados dentro das nossas igrejas. Costumamos enfatizar a belíssima história de conversão dessa mulher, e do povo que está em sua cidade. Porém, a Bíblia é riquíssima e possui lições valiosas que, às vezes, passam despercebidas. Gostaria de, através desse texto, enfatizar um precioso ensinamento de Jesus no capítulo 4 de João, antes do encontro de Cristo com a Samaritana.

Logo no verso 1, João diz que Jesus decide deixar a Judeia porque ficou sabendo que os fariseus descobriram que ele batizava mais discípulos que João Batista. Por que Cristo toma essa decisão? O comentarista bíblico F.F Bruce, no livro “João:introdução e comentário”, afirma que os fariseus não gostavam dos ministérios de Jesus e João Batista e os viam com maus olhos. Ao saberem que havia um certo ressentimento mútuo entre os discípulos dos dois grupos (fato comprovado pelo final do capítulo 3 do mesmo evangelho), os fariseus poderiam se utilizar disso para fomentar uma desavença e prejudicar a expansão das boas novas. Cristo, então, reconhecendo esse perigo decide deixar a Judeia para esperar a “poeira baixar”, evitando uma briga entre os seus seguidores e os de Batista.

Que lição valiosa! Cristo é o próprio Deus encarnado que desceu do seu trono de glória para habitar entre os homens, e o próprio João Batista já havia reconhecido que “Ele deve crescer” (João 3.30). Porém, mesmo assim, Jesus decide abdicar de sua grandeza para fugir de um conflito.

Em um mundo repleto de egos inflados, orgulhos distorcidos e vaidades bobas, ter a capacidade de renunciar uma posição de honra e se retirar em prol da paz é um dos maiores exemplos de humildade e sabedoria. Quantas vezes não temos nossa honra atacada ou nosso ego machucado por pessoas que buscam, tão somente, diminuir nossa importância? O que faremos diante dessas situações?

O normal, em um mundo contaminado pelo pecado, é o revanchismo, cuja lógica é: “se fui atacado, vou atacar de volta” e, assim, começam as brigas de egos que são tão presentes em nossas igrejas, empresas e quaisquer outros tipos de organizações. Jesus, por outro lado, nos ensina que existe algo que é infinitamente mais importante do que nosso ego inflamado: o crescimento do Reino de Deus.

Cristo poderia ter imposto sua autoridade divina e acabar de vez com essa “competição”? Sim, com certeza. Porém, Ele sabia que João Batista era um mensageiro importante dentro do plano de salvação do Pai e que, na verdade, seus ministérios não eram concorrentes, mas complementares, e isso é uma lição valiosa.

Dentro das nossas igrejas encontramos muitas brigas por egos, lutas por cargos/funções...gente que se intriga apenas pelo bobo privilégio de segurar o microfone por mais tempo que os outros. Irmãos que enxergam no ministério dos outros uma ameaça, quando, na verdade, deveriam enxergar como um apoio.

Somos concorrentes uns dos outros? NÃO, definitivamente não! Somos complementares! Ou seja, o trabalho desenvolvido por terceiros, dentro do reino de Deus, ajuda nos resultados que nós desenvolvemos, ainda que esses outros acabem recebendo maior atenção ou “honrarias”.

Se, por acaso, você perceber que ciúmes e inveja estão começando a criar ninhos em você, ore e peça a Deus que tire isso do seu coração. Clame ao senhor e peça a Ele visão espiritual e sabedoria para entender que as honrarias terrenas nada valem diante das honras que receberemos das próprias mãos de Jesus no dia que o encontrarmos na glória celestial.

É difícil? Sim, bastante. Lutar contra nossa própria natureza pecaminosa é a maior luta que enfrentamos nessa terra, afinal, nosso maior inimigo nessa batalha somos nós mesmos (Jeremias 17.9). Porém, o Consolador foi nos dado para nos ajudar a vencer e por mais que, em algum momento, nos falte visão real do reino de Deus, o Espírito Santo nos coloca de volta nos eixos e nos faz entender que o nosso orgulho de nada vale.

Que Cristo ajude possa nos ajudar a entender isso e, assim, fujamos de conflitos desnecessários.

 

Thiago Holanda,

14 de fevereiro de 2023.


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sexta-feira, 30 de julho de 2021

A espetacularização da dor.


Tenho percebido um fenômeno muito curioso (e lamentável) no comportamento de algumas pessoas nas redes sociais. É a espetacularização do sofrimento. Vou exemplificar:

Recentemente, uma conhecida passou por uma situação muito triste de falecimento na família, e fiquei um tanto surpreso ao ver postado nos stories dela uma sequência de quase 3 minutos somente de choro para os seus mais de 2 mil seguidores (a maioria desconhecidos). Em outra feita, uma ex colega de faculdade, que está tentando seguir a carreira de ‘influencer’, postou para os seus quase 4 mil seguidores uma descrição detalhada dos motivos do seu divórcio, inclusive disparando ofensas para o seu ex-marido.

Não sei se a origem desse comportamento é a extrema carência emocional que as pessoas hoje enfrentam, ou se, por acaso, há um desejo de usar as próprias dores da vida para ganhar palco nas redes sociais e conquistar mais ‘engajamento’. No final das contas, não importa o motivo, continua sendo espantoso ver esse tipo de coisa.

A maturidade e o tempo nos ensinam que precisamos SIM de amigos próximos, de gente que vai rir e chorar a cada vitória e tropeço na vida. Mas nós também aprendemos que as dores são didáticas e devem ser digeridas somente com aqueles que caminham lado a lado conosco. Acredite: se você levar a dor para o palco, JAMAIS APRENDERÁ COM ELA, pois nem todos que acompanham sua vida estão interessados no seu crescimento ou felicidade.

Um último conselho: se você quer ter a certeza de que vai ter alguém ao seu lado para enfrentar os momentos difíceis da vida, então ORE! Isso mesmo, faça uma oração. Em Mateus 6.6, Jesus diz que quando quisermos orar, que entremos no nosso quarto, fechemos a porta e falemos com o Pai, pois Ele nos ouvirá. Deus consegue enxergar em nós até aquilo que nós mesmos não podemos ver.

“Mas tu enxergas o sofrimento e a dor; observa-os para tomá-los em tuas mãos. A vítima deles entrega-se a ti; tu és o protetor do órfão.” (Salmos 10:14)

Em Cristo,
Thiago Holanda.
29/07/2021.

 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A gratidão e o teste do tempo




Lendo as passagens de 1 Samuel 11.1-11 e 1 Samuel 31.11-13, aprendo sobre Gratidão.

As duas passagens narram dois episódios muito diferentes da vida do Rei Saul. Na primeira, vemos o começo do seu reinado onde confrontado pelos amonitas, que ameaçavam o povo de Jabes-Gileade, foi tremendamente usado pelo Espírito Santo e conquistou uma bela vitória, humilhando os inimigos do povo de Deus. Na segunda passagem, vejo um contexto muito diferente. Depois de muita desobediência ao Senhor e descontrole emocional, o seu governo estava ameaçado e sofrendo fortes ataques externos, terminando com uma amarga derrota pelos filisteus, que o fez tirar a própria vida.

Mas o que me chamou à atenção foi a atuação do povo de Jabes-Gileade nesses dois momentos. Na primeira narrativa, foram salvos pelo Rei de um ataque brutal dos inimigos. Cerca de 40 anos depois, souberam demonstrar respeito e gratidão a Saul empreendendo uma missão perigosíssima para resgatar o corpo do Rei no meio da noite, dentro do terreno inimigo e o darem um sepultamento digno da realeza.

O povo de Jabes-Gileade soube ser grato ao Rei, independente do quanto ele tenha se afastado e sido rejeitado pelo próprio Deus, isso nos leva a uma reflexão: temos sido gratos a Deus? Por quanto tempo as bênçãos de Deus ficam registradas em nossa memória? 

O povo de Jabes-Gileade guardou na memória por 40 anos, e você?

Geralmente, tendemos a esquecer muito rapidamente os bons feitos que os outros nos fazem, e com relação a Deus não é diferente. Gostamos muito de reclamar das pequenas provas do presente e esquecermos os grandes feitos Dele no passado.

Então, como podemos demonstrar maior gratidão ao Senhor? Creio que nossas atitudes e palavras são fundamentais, e o salmista declara: “meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos.” (Salmo 77.12). Você precisa não só reconhecer tudo que Deus fez (e faz) por você, mas anunciar aos outros, como prova de que Ele é fiel a todos que o buscam. Esquecer dos benefícios de Deus é o mesmo que se esquecer Dele próprio. Quantas vezes não fazemos isso?

Lutar contra o pecado também é uma prova de gratidão ao Senhor, principalmente, pelo maior de todos os Seus feitos: a morte de seu filho Jesus para nos salvar. Ao me render aos prazeres superficiais do pecado, estou sendo ingrato a Deus.

Lembre-se continuamente de todos os feitos de Deus por você! Como? Uma dica prática: anote-os! Isso mesmo, guarde consigo um bloco de notas, agenda, ou qualquer outra coisa onde você possa registrar tudo isso. Não confie em sua memória, ela sempre falha. Que tal começar agora? O que Deus fez por você ao longo do ano passado?

Os cidadãos de Jabes-Gileade guardaram gratidão por 40 anos a um homem. Por quanto tempo você guardará gratidão a Deus?


Em Cristo.

Thiago Holanda.


quinta-feira, 1 de março de 2018

Filhos ou Bastardos?



Todos já ouviram o seguinte dizer: "Eu também sou filho de Deus", ou então "Fulano de tal também é filho de Deus". Mas, o que de fato nos torna filhos de Deus? Será que, realmente, todos podem reivindicar essa filiação? A Bíblia nos mostra que nem todas as pessoas são filhas do Criador, pois existem algumas condições básicas a serem cumpridas para conseguirmos essa posição e a mais fundamental delas está em João 1.12, que diz: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome". Assim, o primeiro passo para se tornar membro da família de Deus é receber a Jesus como salvador.

Entretanto, essa não é a única condição para que façamos parte da família de Deus, em Hebreus 12.8 há uma passagem muito interessante sobre o assunto:

"Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos." 

Essa passagem nos mostra a importância da disciplina (exortação) de Deus. Quando cremos em Cristo, devemos entregar o controle de nossas vidas a Ele, não tomemos decisões baseadas em nossa própria vontade, mas na vontade do nosso Pai ou, nas palavras do Apóstolo Paulo: "vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20b). Ora, como todo pai que ama, Deus nos corrige de nossos erros, às vezes pelo amor, às vezes pela dor.

Infelizmente nossa natureza pecaminosa e persistentemente maligna exige que o Senhor precise ser duro conosco, nos mostrando que precisamos tomar a direção que ELE quer!


É fato que aceitar exortações de Deus não é nada fácil, pois fere nosso orgulho e nos lembra o quão pequenos e frágeis somos. Nossa atitude nessas circunstâncias é fundamental: devemos reconhecer nosso erro e agradecer a Deus pela sua disciplina, pois nos mostra o quanto Ele nos ama (Hebreus 12.6). É triste, porém, ver que tantos não reconhecem isso, e culpam outros por seus infortúnios, geralmente apontando como alvos suas igrejas, seus irmãos em Cristo, família e, em alguns casos extremos, culpam o próprio Deus, esquecendo-se de que suas próprias escolhas trouxeram seus problemas. A Palavra do Senhor nos diz, no versículo citado no parágrafo anterior, que se agirmos com ingratidão diante dos ensinamentos do Pai, perdemos nossa condição de filhos e nos tornamos meros bastardos (filhos indesejados ou degenerados).

Devemos ter em mente que a vida cristã é um processo contínuo de mudança e amadurecimento. Deus sempre está nos moldando, com o objetivo de nos tornar servos mais humildes.

Certa feita vi uma frase que chamou a minha atenção: "A maior evidência de que Cristo transformou sua vida é que Ele ainda continua transformando, e se ele não continua transformando, então provavelmente essa transformação nunca existiu!" Resta-nos receber tudo que vem de Deus com amor, ainda que isso venha a ferir nosso orgulho ou nos trazer um passageiro sofrimento, nossa fé deve acreditar que tudo faz parte do maravilhoso plano de Deus para nossas vidas. 


Em Cristo,

Thiago Holanda

07/10/2011.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A lealdade de Itai (2 Samuel 15.19-22)



Uma vez ouvi um provérbio popular bem interessante que dizia: “Quer conhecer um homem? Dê-lhe poder. Quer conhecer os verdadeiros amigos de um homem? Tire-o do poder!”. A infelicidade trás consigo o mérito de revelar quem são os nossos verdadeiros amigos, e os homens mais sábios do mundo já deram prova disso (Provérbios 17.17).

Um homem cuja história muito nos ensina a esse respeito é Itai, um personagem bíblico que aparece muito rapidamente na história de Israel, mas que demonstra um caráter forte e real integridade. Ele era Geteu[1] e havia apoiado a ascenção de Davi ao trono de Israel, seu nome significa “comigo”[2], e não temos muitas informações além dessas. Vamos ao contexto do seu aparecimento.

Absalão fora perdoado por Davi da morte de Amnom e volta para Jerusalém. Depois de 2 anos, é autorizado a encontrar-se com seu pai e então começa uma campanha silenciosa e mortal para usurpar o trono. Quando consegue concretizar o levante, Absalão surpreende Davi e o faz fugir vergonhosamente de Jerusalém. É nesse contexto que a Bíblia narra a seguinte cena:

O rei disse então a Itai, de Gate: "Por que você está indo conosco? Volte e fique com o novo rei, pois você é estrangeiro, um exilado de sua terra. Faz pouco tempo que você chegou. Como eu poderia fazê-lo acompanhar-me? Volte e leve consigo os seus irmãos. Que o Senhor o trate com bondade e fidelidade! " Itai, contudo, respondeu ao rei: "Juro pelo nome do Senhor e por tua vida que onde quer que o rei, meu senhor, esteja, ali estará o seu servo, para viver ou para morrer! " Então Davi disse a Itai: "Está bem, pode ir adiante". E Itai, o giteu, marchou, com todos os seus soldados e com as famílias que estavam com ele. (2 Samuel 15:19-22, NVI)

Note que Davi não exigiu que Itai fizesse a difícil escolha de seguí-lo. Sim, era uma escolha difícil, pois esse episódio marca o início de uma guerra sangrenta entre Davi e Absalão. Tomar partido por Davi era uma escolha que tornaria qualquer um imediamente inimigo de Absalão. Davi o dispensou disso e ainda lembrou: “você é estrangeiro aqui, não tem obrigação legal de ser fiel ao meu reinado!”. Contudo, a resposta de Itai é impressionante: “Seguirei-te para viver ou para morrer!”. Que amizade! Que fidelidade! Imagino o alento que veio ao coração de Davi naquele momento de tanta angústia. “Ainda tenho amigos!”, talvez seja isso o que ele tenha pensado.

A fidelidade de Itai foi recompensada no futuro. Quando venceu a guerra contra Absalão e recuperou o trono, Davi o nomeou comandante de um terço de seu exército (2 Samuel 18.2,5,12). Não sabemos muito sobre o que aconteceu com ele depois desses acontecimentos.

O que podemos aprender com Itai? Além do precioso exemplo de amizade e fidelidade, vemos uma ligação simbólica entre a relação dele com o Rei Davi e a nossa com Cristo, o Rei dos reis. Itai era um exilado que viu o rei que o “adotou” ser desprezado e escurraçado do seu próprio reino por homens ímpios. Contudo, Itai confiava em seu rei e mesmo sabendo que o futuro poderia ser doloroso pelos próximos meses de guerra, o seu rei retornaria ao trono vitorioso. Itai somos cada um de nós. Nosso rei foi desprezado pelo mundo e sua mensagem foi ridicularizada. Homens impiedosos o massacraram e tentaram frustrar seus planos, contudo, ele venceu! Sim, Jesus venceu! A vitória já foi alcançada. Porém, ainda vivemos temporariamente como exilados enquanto nosso Rei não encerra todas as coisas. Ainda enfrentamos sofrimentos nessa terra e nossa vida carregará fardos dolorosos. Enfim, aguardamos confiadamente que o Rei voltará pra nos levar de volta pra casa e então todos o verão assentado em seu trono manjestoso.

A lição de Itai nos ensina sobre amizade e fidelidade ao próximo em momentos de angústia, mas também nos mostra que devemos permanecer fiéis ao Rei dos reis, custe o que custar, pois Ele já venceu a guerra!


Em Cristo,
Thiago Holanda.
19/02/2018.





[1] Geteus eram soldados mercenários de Gate. Ou seja, filisteus. Haviam apoiado e se juntado a Davi.
[2] De acordo com o “Brown-Driver-Briggs'  Hebrew Definitions”

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés?


O título desse texto é um versículo que se encontra em Provérbios 6.28. Permita-me explicar o contexto: Salomão está falando dos perigos da mulher adúltera e dá várias advertências acerca dos pecados sexuais. No versículo anterior ele fará, inclusive, o primeira alerta com outra pergunta semelhante: “Pode alguém colocar fogo no peito sem queirmar a roupa?”.

A resposta óbvia para essas perguntas é NÃO! Claro que não! Qualquer leitor atento perceberá que são perguntas retóricas. Qual o alerta de Salomão? Simples: NÃO BRINQUE COM A TENTAÇÃO! É incrível como nós costumamos nos achar mais fortes do que de fato somos, e a forma como reagimos a algumas tentações são prova disso.

Alguns tipos de pecados são bem comuns entre a maioria das pessoas, como os sexuais (e é por isso que a Bíblia é tão recheada de alertas sobre isso), mas também temos fraquezas em áreas específicas da nossa vida, e somos tentados em coisas que outras pessoas não são. Contudo, não importa se a tentação enfrentada é tão comum como a sexual ou tão específica como a cleptomania (compulsão que leva um indivíduo a roubar coisas), devemos fugir, e não ficar bancando o super-herói espiritual.

Todos temos o Espírito Santo e inteligência dada por Deus para saber em que área somos vulneráveis. Identificadas essas “brechas”, temos o dever de vigiá-las atentamente, correndo para longe ao menor sinal de perigo! Isso mesmo, correndo para longe! Por exemplo, se um rapaz tem como fraqueza a pornografia, e nas suas redes sociais encontram-se moças que gostam de postar fotos sensuais, é obrigação dele bloquear esse tipo de conteúdo da sua timeline, caso contrário ele não estará fugindo o suficiente para escapar de uma armadilha para os olhos.

Talvez você pense que seja exagero, mas no que se trata da nossa santidade, toda recomendação bíblica deve ser obedecida. O apóstolo Paulo recomenda algo muito parecido para o seu jovem amigo Timóteo em 2 Tm 2.22: “Fuja dos desejos maligos da juventude...”. Paulo sabia que é um fracasso tentar vencer aquilo que é maior do que nós! Nosso coração é extremamente enganosos e sagaz e nos vencerá porque conhece nossas fraquezas, então fujamos!

Mas fugir pra onde? Bem, pode ser uma fuga física mesmo, como José fugiu da mulher de Potifar (Gn 39), ou mesmo uma fuga simbólica. Não importa se é literal ou não, o que importa é para onde você vai fugir: para os braços protetores do Senhor, por meio da oração e leitura da Palavra. Se nós temos interesse em sermos santos, imagine o interesse que o próprio Deus tem nisso. Através do Espírito Santo somos fortalecidos na graça e crescemos em força COM ELE, somente com Ele. Em nós mesmos não encontramos força necessária.

Talvez você tenha achado esse texto algo chato ou mesmo desnecessário. Entendo quem pensa assim. A luta contra o pecado é algo totalmente insiginifcante para aqueles que NÃO NASCERAM DE NOVO! Isso mesmo, se você não considera importante tudo que leu aqui, se não há em você o desejo de vencer o pecado, então o problema é outro: você precisa entregar sua vida a Jesus e crer nele como salvador. A partir dessa decisão inicial, o próprio Espírito Santo se responsabilizará por iniciar essa guerra contra o pecado em sua vida!

Portanto, FUJA das tentações e VENÇA o pecado pelo poder do Espírito Santo.

Encerro esse teto com uma frase especial do puritano Thomas Watson:
“Enquanto o pecado não for amargo, Cristo não será doce!”

Em Cristo,

Thiago Holanda

26/01/2018.




domingo, 21 de janeiro de 2018

Invencionices do coração.


Sempre que você for chamado por Deus para uma grande tarefa, tenha a certeza de que fortes oposições vão se levantar. Esse é o padrão bíblico de treinamento de grandes líderes. Deus não molda grandes personagens com uma vida fácil, todos sofrem lutas árduas enquanto são moldados pelo Espírito Santo. Gosto muito de uma frase do Hernandes Dias Lopes que nos lembra que “Deus sempre trabalha primeiro em nós para, depois, trabalhar através de nós!”. Uma das dificuldades que se levanta em nossa caminhada vocacional é a calúnia, ou seja, a fofoca mentirosa com o objetivo de prejudicar reputações, todos enfrentamos isso.

Neemias, enquanto lutava para reconstruir os muros de Jerusalém, enfrentou Sambalate e Tobias, estrangeiros que já de início não gostaram do projeto de Neemias, pois temiam a nação judaica e sabiam que eram potencialmente poderosos. O que estes dois homens queriam era que o povo de Deus continuasse vivendo na total miséria, pois somente assim continuariam reféns do medo. Contudo, Judá era o povo eleito de Deus e este providenciou o auxílio. O Senhor convoca, então, Neemias para essa difícil tarefa de reconstrução. Depois de muito escárnio e ameaças de invasão, Sambalate e Tobias partiram para a detratação e passaram a dizer que Neemias, de maneira ambiciosa, estava querendo se promover a rei de Israel para, no futuro, revoltar-se contra os povos vizinhos e, inclusive, contra o rei persa, que o havia enviado (Ne 6.1-9).

É duro ser acusado de algo que não se fez. Dói no coração estar com boas intenções e ser acusado de ganancioso e manipulador por aqueles cujo coração está sujo e cheio de inveja. Neemias dá uma resposta segura e digna de alguém que teme mais a Deus do que a homens: “De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu; tu, do teu coração, é que o inventas” (6.8).  Neemias procurava, de maneira desinteressada, ajudar o povo de Deus a recuperar seu lugar na história e o próprio Senhor conhecia o seu coração, mas os inimigos queriam arruinar a sua reputação com mentiras e fazer com que o próprio povo de Judá se voltasse contra ele.

Você já passou por isso? Já sofreu com as invencionices de corações alheios? Já procurou seguir a jornada que Deus colocou em sua frente e, por conta disso, teve de enfrentar oposições daqueles que, no fundo, deveriam ser seus apoiadores? Caso sim, Neemias nos convida a lembrar da nossa identidade: somos filhos e soldados do Grande Rei. E mesmo que mal intencionamdos queiram nos atingir com suas línguas maléficas, não nos preocupemos, pois o que realmente importa é ser conhecido pelo Rei. A luta que Deus nos deu não pode parar sob ameaças e calúnias, mas deve ser fortalecida por meios destes obstáculos. Toda vez que sobrevivemos a tais problemas, nos tornamos mais maduros e certos de que nossa verdadeira identidade não será abalada.

E você? Andra promovendo isso? Talvez você seja a pessoa cujo coração está cheio de invencionices e, infelizmente, anda difamando outras pessoas com palavras venenosas e manipuladoras. Talvez você tenha medo do crescimento alheio e isso o faça enxergar o quanto está afundado numa zona de conforto. É possível que junto disso tenha uma boa pitada de inveja, e ver o que Deus está fazendo na vida de outros pode colocar em evidência todos os erros que um dia você já cometeu. Somado a tudo isso, podemos também encontrar uma porção de insegurança, isso mesmo, insegurança quanto ao que de fato você é. Por que não me alegrar quando o reino do Pai está em expansão, ainda que pelas mãos de outra pessoa? Somos inseguros porque não conseguimos entender como Deus está escrevendo a nossa própria história e preferiríamos que a história do outros fosse a nossa, mas como não é, alimentamos raiva e passamos a caluniar, pois já que não posso viver a história do outro, não quero que ninguém mais a viva!

Que Deus nos dê forças para vencer as invencionices dos corações alheios e nos proteja contra as sujeiras do nossos próprios!


Em Cristo,
Thiago Holanda

21/01/2018.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O nevoeiro da incredulidade



Recentemente uma amiga muito especial, ao orar em voz alta, disse: “Senhor, ensina-nos a enxergar o teu SIM por trás do teu NÃO”. Essa oração ficou ecoando em minha cabeça por um bom tempo, e pensei: na realidade, toda porta que Deus abre ou fecha é um sim. Isso mesmo, um “sim” para nossa felicidade, pois costumeiramente desejamos o que não deveríamos desejar. Sonhamos em obter coisas ou conquistar posições que estão completamente fora da vontade de Deus, e quando Deus, em sua infinita graça, nos nega essas coisas, o faz por amor, pois Ele sabe o quão infelizes seríamos se tais desejos (muitas vezes pecaminosos) fossem atendidos.

Contudo, é muito simples de entender esse princípio na teoria, mas a prática é outra coisa. As vezes me sinto como uma eterna criança que custa muito a aprender que não se deve ganhar tudo o que quer. Uma frase muito linda do C.S Lewis diz assim: “Nossa oração nunca é ignorada. Pelo contrário, é recebida, considerada e recusada para o nosso bem supremo”. Somos intensamente abençoados por esse “filtro” que Deus faz em nossos desejos, pois em nossa insignificante sabedoria, jamais faríamos o mesmo.

Nosso coração milita dia e noite por vontades egoístas e precipitadas,  e o NÃO de Deus, geralmente revela que existe um SIM mais adiante, e não o enxergamos agora porque há um nevoeiro de incredulidade tampando nossa visão de tal forma, que passamos a ver somente o imediatismo do que está posto diante de nós. Somente o próprio Deus pode limpar esse nevoeiro, por meio de doses generosas de fé. Só então, passaremos a ouvir o NÃO de Deus como um SIM.

Viver como discípulo nos leva a lições bem duras, mas quando Cristo é nossa esperança, tudo vale a pena!

Em Cristo,
Thiago Holanda


15/11/2017.

domingo, 6 de agosto de 2017

“Um espaço entre nós” e uma vida significativa.



Hoje assisti um filme de romance bem adolescente intitulado “O espaço entre nós”. Narra a história de um rapaz que nasceu em Marte. Sua mãe foi uma astronauta renomada que morreu durante seu parto. Por conta de uma série de problemas de saúde, ele ficou impossibilitado de morar na terra e foi criado por outros astronautas na estação espacial. Contudo, aos 16 anos ele sentiu uma profunda necessidade de conhecer a Terra e procurar seu pai. Vou parar por aqui para não dar spoilers. Confesso que é um filme tosquinho, cheio de um romance meio ‘piegas’ e cenas de amor bem previsíveis.
Contudo, o filme nos faz refletir no significado da nossa vida aqui na terra. Uma cena em especial me chamou muita atenção: o rapaz está se trocando no banheiro de um supermercado e, ao sair da cabine, se depara com várias crianças que estavam prestes a “pichar” o espelho do banheiro. Ao verem que não estavam sozinhas, as crianças fugiram. Ele, meio bobalhão ainda, não entende o porquê da fuga e pega o pincel, olha para o espelho e então escreve: “Eu estive aqui.” Confesso que passei um bom tempo meditando nisso, e me perguntei: será que minha vida aqui na terra está sendo suficientemente significativa? Será que tenho deixado uma marca positiva durante minha brevíssima jornada por aqui?
Me espanta ver tantos jogando no lixo seu precioso tempo de permanência aqui na terra com coisas tão sem significado. O personagem do filme, desde o início, sabia que seu destino final não era a terra. Por motivos de saúde, ele sabia que teria de voltar pra Marte ou, então, morreria muito brevemente por aqui. Isso o impulsionou a viver essa curta estadia dando o melhor de si em tudo e deixando sua marca aonde ele pudesse. Isso foi a sua motivação ao escrever no espelho: “eu estive aqui”. Era uma marca simples, mas era uma marca. Aquele espelho do banheiro não ia ser mais o mesmo depois da passagem dele. O que eu e você temos modificado? Vamos viver 70, 80 ou Deus sabe quantos anos e não deixaremos nossa marca em nada? Não modificaremos a vida de ninguém por aqui?
Não sei você, mas eu quero uma vida de significado. Sei que sou um peregrino, assim como o personagem, e brevemente terei de voltar ao lar. Mas vou encarar essa minha breve passagem como um presente precioso e quero aproveitar cada segundo dela e deixar, não em espelhos, mas no coração daqueles que amo uma marca com os mesmo dizeres: “eu estive aqui”.

Em Cristo,
Thiago Holanda.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Deus dos montes [Devocional]




(Monte Sião)

 Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.
O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra.
Salmos 121:1

Esse é um dos salmos mais famosos da Bíblia. Nesse poema o autor no instiga a confiar mais em Deus e no seu poder para nos preservar em meio as lutas. No versículo 1, o salmista diz que eleva os olhos para os montes. Porque isso?
Os montes eram muito importantes para o povo Judeu. No monte Sinai, Deus entregou a Lei para Moisés. Em Jerusalém, o monte Sião era conhecido por abrigar o grande templo. No monte Carmelo, Elias venceu os 400 profetas de Baal fazendo cair fogo do céu. No monte Hermon, Cristo foi transfigurado. As vezes, quando uma cidade era invadida, o povo buscava refúgio e resistência nos montes.
O monte, nesse salmo, parece representar nossas capacidades e recursos. Quando tempestades da vida querem me atingir, para onde eu olho? Para os montes? Para os recursos que possuo? Não! Eu devo olhar para o Senhor, que fez os céus e a terra (inclusive os montes).
Os nossos recursos, por maiores e mais poderosos que seja, são insignificantes diante do Deus de toda a terra. Coloquemos nossa confiança sempre Nele.

Em Cristo,
Thiago Holanda

sábado, 11 de março de 2017

O que os ídolos do coração fazem comigo? (aprendendo com o exemplo de Amnon)


Ídolo é tudo que rouba o lugar de Deus em nosso coração. Sim, é uma definição bem simplória, mas completa. Como Cristãos, devemos amar ao Senhor acima de todas as coisas (Lc 1.27) e tudo que assume essa posição se torna um ídolo, ainda que seja intrinsecamente inofensivo.

Existem ídolos bem diferentes: bens materiais, amigos, namorados(as), fama em redes sociais e há, até mesmo, quem idolatre a igreja e seus respectivos líderes. Enfim, não preciso me alongar para convencê-lo(a) da pecaminosidade dos ídolos, mas quero mostrar biblicamente como eles nos afetam de maneira profunda. Para tanto, usarei o exemplo de Amnon, filho de Davi.

2 Samuel 13 nos conta essa trágica história: Amnon estava completamente obcecado por sua meia-irmã Tamar, moça muito bela e pura (v.2), mas ele não via chances de possuí-la. Seu primo, Jonadabe, deu um conselho bem maligno: fingir de doente para que ela venha cuidar dele e, assim, ter a chance de abusá-la sexualmente (sei que você, assim como eu, não consegue deixar de sentir nojo desses sujeitos toda vez que lê essa trama). 

Aprendemos muito sobre ídolos no coração a partir desse episódio e podemos extrair lições valiosas sobre como somos afetados, veja:

1. Você manipula pessoas para conseguir o que quer: note como o grande Rei Davi se tornou um fantoche nas mãos de seu filho mimado (v.6). Amnon não teve medo de usar o seu próprio pai para conseguir o que queria. Quem está obcecado por seu ídolo manipula, até mesmo, pessoas que ama para conquistar aquilo que se idolatra.

2. Faz você perder completamente a razão: note que essa ‘paixão’ não era um caso perdido para Amnon. Tamar sugere que ele não a abuse, mas a peça ao Rei em casamento, que não a negaria. Se Amnon estivesse raciocinando bem, perceberia que não custaria nada esperar um pouco mais para casar e ser feliz pelo resto da sua vida com Tamar. Mas, entenda: nossa relação com os ídolos nunca será de amor, mas de abuso. Queremos os ídolos para que beneficiem e satisfaçam os desejos pecaminosos do nosso coração. Amnon estava pouso se importando com as súplicas de Tamar sobre o escândalo que aquilo causaria (v.13), mas ele queria somente satisfação, ainda que momentânea.

3. O prazer dos ídolos é passageiro: o prazer de ter sua irmã era tudo que Amnon queria, mas descobriu que a satisfação de sua obsessão era passageira. Logo que praticou o abuso, desprezou Tamar (v.15)

4. Ídolos cobram um alto preço: as vezes é a própria vida e Amnon é um exemplo disso. Com o ato praticado, Absalão, irmão de Tamar, ficou furioso e jurou que mataria o abusador por isso. Dito e feito. Note que demorou 2 anos para que Absalão se vingasse, mas ele o fez. Um homem tolo e inconsequente comete seus desvios e acha que nunca será cobrado por aquilo. Ledo engano. A lei da Semeadura não é uma lei brasileira, cuja existência e aplicabilidade se restringe aos papéis, mas é uma lei divina e seu executor não tarda nem falha. Amnon pagou com a própria vida pelo erro cometido.

5. Alimentar ídolos prejudica também o meu próximo: a história acabou com a morte de Amnon? Não! As consequências da briga com Absalão e sua morte iniciaram uma segunda trama que vai findar na deposição temporária do seu próprio pai Davi (2 Sm 15). Acreditar que alimentar ídolos não vai prejudicar as pessoas que estão próximas a você é inocência ou cinismo. O marido que busca pornografia, o filho viciado no Instagram, o líder obcecado por poder e reputação...todos esses ídolos prejudicam inocentes.

Nenhum de nós está livre dos ídolos, por isso espero que esse artigo o ajude a entender sobre os malefícios de mantê-los em nossos corações. Não pense que é fácil livrar-se deles, mas quem faz essa limpeza é o próprio Espírito Santo. Oremos sempre como o salmista: “...vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.24).

Em Cristo, 
Thiago Holanda.