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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Conselhos para pregadores (por CHARLES FINNEY)




Recentemente terminei de ler “UMA VIDA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO” de Charles Finney, um famoso evangelista americano do século XIX. Considerei o livro bom (ainda que discordando de várias visões que o autor tinha de pregação e ministério), e o capítulo mais interessante foi o último (intitulado “Pregador, Salva a Ti Mesmo”), onde ele dá 64 conselhos para pregadores. Achei a maioria muito válido e quero reproduzir aqui os que considerei mais relevantes. Vale salientar que a ordem aqui não é a mesma do livro.
“1. Cuida em ser constrangido pelo amor a pregar o evangelho, como o foi Cristo a providenciar um evangelho.
2. Cuida em ter o revestimento especial de poder do alto (…).
3. Mantém constantemente a comunhão íntima com Deus.
4. Faze da Bíblia o teu Livro dos livros. Estuda-a muito, de joelhos, esperando iluminação divina.
5. Acautela-te de depender dos comentários. Consulta-os quando convier: porém julga pot ti mesmo. à luz do Espírito Santo.
6. Guarda-te puro — em propósito, em pensamento, em sentimento, em palavras e em ações.
7. Também pondera profundamente e demora-te diante do infinito amor e compaixão de Cristo por eles.
8. Crê na afirmação de Cristo, de que ele está contigo nessa obra sempre e em todo lugar, para dar-te todo o auxílio necessário.
9. “O que ganha almas é sábio”: e “se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera: e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé”. Lembra-te, portanto, que tens a obrigação de possuir a sabedoria que ganhará almas para Cristo.
10. Sendo chamado por Deus para a obra, faze dessa tua vocação o argumento constante junto a Deus, para dele obteres tudo que precisares para a execução da obra.
11. Sê diligente e laborioso, “a tempo e fora de tempo”.
12. Conversa muito com todas as classes dos teus ouvintes sobre a questão da salvação, a fim de compreenderes suas opiniões, erros e necessidades. Verifica seus preconceitos, sua ignorância, seu humor, seus hábitos e tudo mais que precisares saber a fim de adaptares tua instrução às suas necessidades.
13. Cuida em que teus próprios hábitos sejam corretos em todo sentido; que sejas temperado em todas as cousas: livre da mancha ou odor do fumo, do álcool, das drogas, de tudo que terias motivo para envergonhar-te e que sirva de tropeço a outros.
14. Não sejas “de mente levian” antes “põe o Senhor continuamente diante de ti”.
15. Controla bem tua língua e não te dês a conversas frívolas e sem proveito.
16. Tem cuidado de ensiná-los não só por preceito mas também pelo exemplo. Pratica tu mesmo o que pregas.
17. Tem cuidado especial no relacionamento com o sexo feminino, a fim de jamais levantares pensamento ou desconfiança da menor impureza em ti mesmo.
18. Vigia os teus pontos fracos. Se fores por natureza dado a jovialidade e brincadeiras, vigia ocasiões de falha nesse setor.
19. Se fores por natureza carrancudo e insociável, vigia contra o mau humor e a insociabilidade.
20. Passa muito tempo, diariamente pela manhã e à noite, em oração e comunhão direta com Deus. Isso te trará poder para a salvação. Não há erudição nem estudo que compense a perda dessa comunhão. Se deixares de manter comunhão com Deus, “te enfraquecerás e serás como qualquer outro homem”.
21. Acautela-te do erro que afirma não haver participação do homem na regeneração nem, por conseguinte, ligação entre esta participação e o resultado final, ou seja, a regeneração da alma.
22. Na escolha e no tratamento dos textos para teus sermões, procura sempre a orientação direta do Espírito Santo.
23. Que todos os teus sermões sejam do coração e não apenas da cabeça.
24. Não deixes nunca que a tua popularidade com o povo tenha influência sobre a tua pregação.
25. Sê diligente no estudo, e instrui cabalmente o povo em tudo que é essencial à salvação.
26. Jamais bajules os ricos.
27. Sê particularmente atencioso às necessidades e à instrução dos pobres.
28. Cuide bem em conhecer pessoalmente e viver diariamente a pessoa de Cristo.”
Espero que esses conselhos os edifiquem.
Capa do Livro

Em Cristo,
Thiago Holanda



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Não é pelo muito falar...


Recentemente participei de um culto em que o líder da igreja estava ao microfone dando alguns avisos e, de repente, começou a defender uma prática em sua denominação. Ele dizia: “Irmãos, não creio que pregação precisa ser longa...pregação boa é pregação curta e cheia do poder de Deus!”
Até concordei em parte com o irmão, afinal, pregação precisa, de fato, vir de um homem cheio do Espírito Santo. Tempo de duração do sermão não é determinante para a qualidade espiritual de uma mensagem bíblica. Contudo, passei a discordar quando este líder passou a “atacar” a ideia de pregações longas, dando a entender que todas são desnecessárias e enfadonhas. Confesso que comecei a ficar inquieto e, ao mesmo tempo, apreensivo com o tipo de pregação que alimentava aquela congregação.
Mas este não é o clímax da história! O ponto alto se deu quando um dos obreiros dessa igreja, demonstrando concordância com o que estava sendo dito, disse em alto e bom som: “É isso mesmo! A Bíblia diz que não é pelo muito falar...”. Cocei os ouvidos...será que ouvi certo? Não quero parecer implicante, mas eu já estava diante de uma ideia estranha sobre pregação, a última coisa que eu precisava ouvir, para discordar ainda mais de tudo aquilo, era um versículo fora de contexto.
Note que, provavelmente, o obreiro estava citando Mateus 6.7, que diz: E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. O contexto desse verso é o Sermão da Montanha (que começa em Mateus 5), onde Jesus dá várias instruções sobre a vida e conduta cristã. Na passagem anterior (6.1-4), Jesus ensina sobre como se deve dar esmolas. Logo após, fala sobre como se deve orar e, inclusive, nos é dado um modelo de oração (6.5-13). Em seguida, temos instruções sobre como se deve jejuar (6.16-18). Portanto, em nenhum momento o texto está falando sobre pregação do evangelho no ambiente de igreja.
Além da minha admiração ao observar um obreiro usando um verso fora de contexto, me veio à mente a seguinte reflexão: porque essa implicância com pregações longas? Será que sentar na igreja e ouvir uma pregação por uma hora é tão exaustivo assim? Será que os crentes cansam com a mesma facilidade ao assistirem um filme de duas horas?
Já sei, já sei, já sei...você deve estar com vários argumentos em sua cabeça: ‘tem pregação que não tem unção de Deus!’, ‘tem pregadores enfadonhos’, ‘não precisa disso tudo pra falar de Jesus’, blá, blá, blá...reconheço a falta de zelo de vários pregadores em relação ao estudo bíblico, bem como a deficiente vida de oração de alguns outros, e isso, de fato, torna qualquer pregação um martírio. Mas isso deve ser resolvido com ensino e imposição de critérios mais firmes no momento de entregar um púlpito a um pregador. Reduzir o tempo de pregação por motivos de enfado é atacar a consequência do problema, não a causa.
Não quero desmerecer sermões rápidos e reflexões bíblicas curtas, mas existe um receio em meu coração quando vejo tantas igrejas criticarem a duração dos sermões, mas se distraírem muito facilmente com outros “santos entretenimentos” durante a liturgia.
Jonathan Edwards pregou o sermão mais famoso da história, intitulado “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, e como não era muito eloquente, costumava pregar lendo o seu manuscrito. Estimam que ele tenha pregado por 40 minutos, até que precisou interromper o sermão, pois a congregação estava tão cheia do Espírito Santo que as pessoas caíam no chão com tanta convicção de pecado e clamavam ao Senhor por perdão.
É disso que precisamos hoje: homens que, como Edwards, estejam dispostos a serem incendiados para, então, incendiarem outros!


Em Cristo,
Thiago Holanda.