terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A verdadeira admiração é míope


Todos nós, em alguma medida, admiramos e somos admirados. Minha vocação é o ensino e amo o que faço. Deus, pela sua graça, tem aberto portas para que eu possa usar o meu dom em diversos lugares além da minha igreja local, e tem sido bondoso comigo no momento do ensino em algumas escolas missionárias onde sou professor voluntário.

É maravilhoso ver o Espírito Santo me ajudando a clarificar alguns assuntos para jovens iniciantes na fé. Por conta disso, alguns alunos têm me procurado ao final dessas aulas para agradecer pelo momento de aprendizado, alguns me adicionam no Facebook, outros me convidam para ministrar em suas igrejas e, inclusive, tem aqueles que se tornam bons amigos. Por favor, não pense que estou me gabando de nada, não é isso. Preciso chegar a ideia central desse texto e quero me usar como exemplo. Então, não veja vanglória em minhas palavras...

Enfim, é interessante perceber como todos nós gostamos de admirar figuras distantes da nossa realidade. Pessoas que não convivem conosco, logo não nos maltratam com suas fraquezas e não nos ferem com suas palavras (pela simples falta de oportunidade), mas tornam-se alvo de nossa sincera admiração sem ponderarmos se, de fato, são merecedoras disso. Talvez seja por isso que os gurus façam tanto sucesso mundo afora.

“O que é um guru?”, você pergunta.

Guru é um especialista em alguma coisa (marketing, gestão, finanças, crescimento de igrejas, etc), que vem de longe e tem todas as soluções que precisamos na palma da mão. Ah, é importante que ele venha de longe, pois se fosse um próximo perceberiamos que não é guru de nada. Os gurus sempre sabe “de tudo”, ainda que não possam atestar isso, afinal, nunca sabemos nada sobre eles.

O fato é que a verdadeira admiração é míope. Só é válida se nos ver bem de perto e contemplar toda nossa fraqueza e insignificância. Somos verdadeiramente admirados por aqueles que já presenciaram vários dos nossos tombos e, ainda assim, conseguem enxergar a graça do Altíssimo operando em nós e através de nós.

Se tem alguém do seu lado que depois de ver muitos dos seus fracassos, ainda consegue olhar pra você e admirar quem você é, acredite: essa admiração é realmente importante. De nada valeria a admiração dos meus breves alunos de escolas missionárias se eu não tivesse a admiração dos jovens da minha igreja, que já presenciaram momentos ruins do meu ministério, e de nada valeria a admiração dos meus jovens se eu não tivesse a da minha esposa, que já conheceu as piores versões de mim mesmo.

Oro pra que Deus me ensine a valorizar os que estão próximos a mim, vendo Cristo em seus tombos e levantes, assim como outros possam continuar vendo o mesmo em mim.


Em Cristo,
Thiago Holanda
13/02/2018.


OBSERVAÇÃO: Miopia é uma condição do olho caracterizada por má visão à distância, fazendo com que os objetos distantes sejam vistos desfocados, enquanto que os objetos próximos parecem normais.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Faça sua lista de amigos com caneta, e não use corretivo!


Recentemente vi um conhecido publicando essa imagem ao lado em uma rede social e confesso que fiquei intrigado e imediatamente discordei da mensagem transmitida. Isso me levou à refletir no conceito que as pessoas têm de amizade e como geralmente tratamos esse presente (de Deus) de maneira tão supérflua. Vamos a algumas considerações:

a)   O que é um amigo? A Bíblia diz que um amigo serve para qualquer momento, inclusive na adversidade (Pv 17.17). Sempre estará presente para nos ajudar e muitas vezes tem mais proximidade conosco do que um familiar distante (Pv 27.10). Amigo é aquele que nos repreende em sinceridade e faz isso por amor (Pv 27.5). Amigos devem curar-se mutuamente, motivando qualidades e freando defeitos um do outro (Pv 27.17). Numa amizade verdadeira, sempre seremos médicos e pacientes ao mesmo tempo. A gente sempre fica parecido com nossos amigos, pois a convivência faz a gente “pegar” muita coisa um do outro (Pv 13.20). C.S Lewis vai dizer que a verdadeira amizade não é construída com base na semelhança de personalidade, mas da igualdade de propósitos: “Só podem ser amigos aqueles que caminham para o mesmo destino.” Dito isto, a conclusão lógica é que a amizade é uma relação intensa e duradoura, que não se conquista em pouco tempo e muito menos se perde assim tão facilmente. Aquele que acha que deve escrever a lista de amigos a lápis, a fim de apagar na primeira crise que enfrentar, deve saber que na verdade não tem amigo nenhum nessa lista, pois os reais amigos são companheiros nas mais difíceis circunstâncias. Essa é a essência da amizade.

b)  Toda amizade deve passar pelo teste do tempo. Já dizia um sábio [1]: “O tempo é o senhor de tudo e Deus é o Senhor do tempo.” Depois do próprio Soberano, o tempo é o melhor professor que dispomos. Amigos se constroem com o tempo. Não acredito que alguém que apareceu na nossa vida há pouco tempo já possa ser considerado um “amigo para todas as horas”. Muitas crises deverão ser vividas e superadas, e a confiança é como um pilar, que pode suportar grandes estruturas, mas que se não for construído com materiais usados na medida certa, pode sofrer danos irreversíveis. Contudo, é interessante notar que algumas amizades não se mantém pela proximidade, mas pelo amor mútuo, que não aumenta ou diminui por estar perto ou longe, mas é auto-alimentanda pela própria decisão de amar. Isso significa que algumas pessoas serão nossas amigas para sempre, mas só estarão perto de nós durante uma fase específica da vida. Depois disso, Deus levará ambos para caminhos diferentes segundo Seus propósitos, restando-nos a sabedoria de aceitar e entender que há tempo para tudo. Costumo olhar para trás e ver algumas pessoas que Deus me deu e depois levou para longe, e hoje entendo que o tempo destas pessoas comigo teve de acabar para que essas pessoas pudessem viver a mesma fase na vida de outras. Como alguém que está aprendendo muito lentamente a ser grato, eu tenho que imitar à Jó e dizer: “Deus deu, Deus levou, louvado seja o nome do Senhor!” 

c)   Descobrir a superficialidade de uma amizade revela o quanto nós precisamos escolher melhor. Quando vi a mensagem motivadora deste texto na postagem do meu colega, não resisti e comentei o quanto eu discordava dessa visão superficial de amizade. Para se defender, ele comentou algo como: “Cara, tem muita gente falsa por aí, é difícil alguém ser amigo de verdade!”. Concordo com a primeira parte, existe muita gente falsa se passando por amiga. Porém, nós é quem abrimos a porta do nosso coração para deixar os outros entrarem e se nossos critérios são poucos ou mesmo superficiais, só posso dizer uma coisa: se você deixou algum falso amigo entrar em sua vida, a culpa é sua também! Nós devemos ser criteriosos e maduros antes de considerar alguém como amigo para todas as horas, para que possamos ter a certeza de que escreveremos o nome de caneta, e não precisaremos jamais passar um corretivo!


Que Deus nos ajude a termos e sermos bons amigos!

Em Cristo,
Thiago Holanda
27/01/2018.




[1]  Não sei quem é o autor original dessa frase, mas a ouvi pela primeira vez numa entrevista que fizeram com o Zé Bruno, vocalista da Banda Resgate.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés?


O título desse texto é um versículo que se encontra em Provérbios 6.28. Permita-me explicar o contexto: Salomão está falando dos perigos da mulher adúltera e dá várias advertências acerca dos pecados sexuais. No versículo anterior ele fará, inclusive, o primeira alerta com outra pergunta semelhante: “Pode alguém colocar fogo no peito sem queirmar a roupa?”.

A resposta óbvia para essas perguntas é NÃO! Claro que não! Qualquer leitor atento perceberá que são perguntas retóricas. Qual o alerta de Salomão? Simples: NÃO BRINQUE COM A TENTAÇÃO! É incrível como nós costumamos nos achar mais fortes do que de fato somos, e a forma como reagimos a algumas tentações são prova disso.

Alguns tipos de pecados são bem comuns entre a maioria das pessoas, como os sexuais (e é por isso que a Bíblia é tão recheada de alertas sobre isso), mas também temos fraquezas em áreas específicas da nossa vida, e somos tentados em coisas que outras pessoas não são. Contudo, não importa se a tentação enfrentada é tão comum como a sexual ou tão específica como a cleptomania (compulsão que leva um indivíduo a roubar coisas), devemos fugir, e não ficar bancando o super-herói espiritual.

Todos temos o Espírito Santo e inteligência dada por Deus para saber em que área somos vulneráveis. Identificadas essas “brechas”, temos o dever de vigiá-las atentamente, correndo para longe ao menor sinal de perigo! Isso mesmo, correndo para longe! Por exemplo, se um rapaz tem como fraqueza a pornografia, e nas suas redes sociais encontram-se moças que gostam de postar fotos sensuais, é obrigação dele bloquear esse tipo de conteúdo da sua timeline, caso contrário ele não estará fugindo o suficiente para escapar de uma armadilha para os olhos.

Talvez você pense que seja exagero, mas no que se trata da nossa santidade, toda recomendação bíblica deve ser obedecida. O apóstolo Paulo recomenda algo muito parecido para o seu jovem amigo Timóteo em 2 Tm 2.22: “Fuja dos desejos maligos da juventude...”. Paulo sabia que é um fracasso tentar vencer aquilo que é maior do que nós! Nosso coração é extremamente enganosos e sagaz e nos vencerá porque conhece nossas fraquezas, então fujamos!

Mas fugir pra onde? Bem, pode ser uma fuga física mesmo, como José fugiu da mulher de Potifar (Gn 39), ou mesmo uma fuga simbólica. Não importa se é literal ou não, o que importa é para onde você vai fugir: para os braços protetores do Senhor, por meio da oração e leitura da Palavra. Se nós temos interesse em sermos santos, imagine o interesse que o próprio Deus tem nisso. Através do Espírito Santo somos fortalecidos na graça e crescemos em força COM ELE, somente com Ele. Em nós mesmos não encontramos força necessária.

Talvez você tenha achado esse texto algo chato ou mesmo desnecessário. Entendo quem pensa assim. A luta contra o pecado é algo totalmente insiginifcante para aqueles que NÃO NASCERAM DE NOVO! Isso mesmo, se você não considera importante tudo que leu aqui, se não há em você o desejo de vencer o pecado, então o problema é outro: você precisa entregar sua vida a Jesus e crer nele como salvador. A partir dessa decisão inicial, o próprio Espírito Santo se responsabilizará por iniciar essa guerra contra o pecado em sua vida!

Portanto, FUJA das tentações e VENÇA o pecado pelo poder do Espírito Santo.

Encerro esse teto com uma frase especial do puritano Thomas Watson:
“Enquanto o pecado não for amargo, Cristo não será doce!”

Em Cristo,

Thiago Holanda

26/01/2018.




domingo, 21 de janeiro de 2018

Invencionices do coração.


Sempre que você for chamado por Deus para uma grande tarefa, tenha a certeza de que fortes oposições vão se levantar. Esse é o padrão bíblico de treinamento de grandes líderes. Deus não molda grandes personagens com uma vida fácil, todos sofrem lutas árduas enquanto são moldados pelo Espírito Santo. Gosto muito de uma frase do Hernandes Dias Lopes que nos lembra que “Deus sempre trabalha primeiro em nós para, depois, trabalhar através de nós!”. Uma das dificuldades que se levanta em nossa caminhada vocacional é a calúnia, ou seja, a fofoca mentirosa com o objetivo de prejudicar reputações, todos enfrentamos isso.

Neemias, enquanto lutava para reconstruir os muros de Jerusalém, enfrentou Sambalate e Tobias, estrangeiros que já de início não gostaram do projeto de Neemias, pois temiam a nação judaica e sabiam que eram potencialmente poderosos. O que estes dois homens queriam era que o povo de Deus continuasse vivendo na total miséria, pois somente assim continuariam reféns do medo. Contudo, Judá era o povo eleito de Deus e este providenciou o auxílio. O Senhor convoca, então, Neemias para essa difícil tarefa de reconstrução. Depois de muito escárnio e ameaças de invasão, Sambalate e Tobias partiram para a detratação e passaram a dizer que Neemias, de maneira ambiciosa, estava querendo se promover a rei de Israel para, no futuro, revoltar-se contra os povos vizinhos e, inclusive, contra o rei persa, que o havia enviado (Ne 6.1-9).

É duro ser acusado de algo que não se fez. Dói no coração estar com boas intenções e ser acusado de ganancioso e manipulador por aqueles cujo coração está sujo e cheio de inveja. Neemias dá uma resposta segura e digna de alguém que teme mais a Deus do que a homens: “De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu; tu, do teu coração, é que o inventas” (6.8).  Neemias procurava, de maneira desinteressada, ajudar o povo de Deus a recuperar seu lugar na história e o próprio Senhor conhecia o seu coração, mas os inimigos queriam arruinar a sua reputação com mentiras e fazer com que o próprio povo de Judá se voltasse contra ele.

Você já passou por isso? Já sofreu com as invencionices de corações alheios? Já procurou seguir a jornada que Deus colocou em sua frente e, por conta disso, teve de enfrentar oposições daqueles que, no fundo, deveriam ser seus apoiadores? Caso sim, Neemias nos convida a lembrar da nossa identidade: somos filhos e soldados do Grande Rei. E mesmo que mal intencionamdos queiram nos atingir com suas línguas maléficas, não nos preocupemos, pois o que realmente importa é ser conhecido pelo Rei. A luta que Deus nos deu não pode parar sob ameaças e calúnias, mas deve ser fortalecida por meios destes obstáculos. Toda vez que sobrevivemos a tais problemas, nos tornamos mais maduros e certos de que nossa verdadeira identidade não será abalada.

E você? Andra promovendo isso? Talvez você seja a pessoa cujo coração está cheio de invencionices e, infelizmente, anda difamando outras pessoas com palavras venenosas e manipuladoras. Talvez você tenha medo do crescimento alheio e isso o faça enxergar o quanto está afundado numa zona de conforto. É possível que junto disso tenha uma boa pitada de inveja, e ver o que Deus está fazendo na vida de outros pode colocar em evidência todos os erros que um dia você já cometeu. Somado a tudo isso, podemos também encontrar uma porção de insegurança, isso mesmo, insegurança quanto ao que de fato você é. Por que não me alegrar quando o reino do Pai está em expansão, ainda que pelas mãos de outra pessoa? Somos inseguros porque não conseguimos entender como Deus está escrevendo a nossa própria história e preferiríamos que a história do outros fosse a nossa, mas como não é, alimentamos raiva e passamos a caluniar, pois já que não posso viver a história do outro, não quero que ninguém mais a viva!

Que Deus nos dê forças para vencer as invencionices dos corações alheios e nos proteja contra as sujeiras do nossos próprios!


Em Cristo,
Thiago Holanda

21/01/2018.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

4 lições em Neemias.


Neemias foi um personagem emblemático no Antigo Testamento. Sua contribuição para nós perpassa a contribuição histórica e ganha ares espirituais através do seu exemplo de caráter e fé. Gostaria de deixar alguns aprendizados que podemos ter com o mesmo nos dois primeiros capítulos de seu livro:

1. Ele tinha um coração solidário: somos informados que, ao receber a notícia de que seu povo estava na miséria, Neemias chorou e lamentou por muitos dias (1.4). Precisamos entender que Neemias ocupava uma função de muita confiança e destaque no reinado Persa e, por conta disso, deve ter vivido muito confortavelmente no palácio do rei. Contudo, essa “boa” vida que levava não o fez esquecer quem ele era: servo do verdadeiro Rei, o Rei de Israel e de todo o mundo. Seu coração permanecia fiel tanto a Deus como ao seu povo. Ao invés de ser indiferente aos sofrimentos dos seus conterrâneos, ele tornou esse sofrimento alheio em sua própria dor. Se você fosse abençoado por Deus com muitos recursos e/ou posições de destaques, continuaria lembrando sua identidade e origem? Quando foi a última vez que você se entristeceu, orou e jejuou por um problema alheio? Precisamos batalhar em oração pelos outros.

2. Ele reconhecia a culpa de todos, inclusive a sua: em 1.6 ele ora e pede perdão não somente pelos pecados dos que se achavam na miséria, mas também pelos que ele e a casa de seu pai haviam cometido. Neemias entende que a miséria do povo era uma culpa das escolhas idólatras do passado e que Deus havia alertado do perigo de afastar-se dele próprio (1.8). Ele poderia ter orado e intercedido somente pelos pecados alheios, mas Neemias reconheceu a necessidade de enxergar a si mesmo como parte culpada.

3. Ele era um homem de confiança: em 2.1-8 vemos um diálogo impressionante entre ele e o rei persa. É interessante ver como o Rei nota sua feição triste, o que nos leva a entender que ele era alguém especial para o rei e não somente mais um servo entre outros milhares. Incomodado, o monarca o questiona o porquê disso, e ao explicar suas razões e fazer seus pedidos, somos supreendidos novamente com a consideração do rei para com Neemias, liberando-o de suas funções para cumprir um propósito totalmente desinteressante para a Pérsia. Como se não fosse o suficiente, o rei ainda libera cargas de madeira sem custo algum, para ajudar na construção do templo. Neemias era um homem de confiança e certamente um profissional exemplar diante do rei. Suas atitudes ao longos dos anos devem tê-lo dado uma boa reputação diante do monarca. Nossos exemplos de cristãos em nossos locais de trabalho/estudo abrem ou fecham portas?

4. Ele reconhecia sua incapacidade: no final de 2.8 temos uma frase muito significativa, Neemias diz: “e o rei mas deu, porque a boa mão do Senhor era comigo.” Note bem, ele era possivelmente um profissional exemplar, que vivia confortavelmente e provavelmente gozava da estima de muitas pessoas na corte real, mas nada disso era mérito nenhum para ele! No fundo, uma verdade ressoava em seu coração: É DEUS! Ele não via suas conquistas como triunfos, mas como o agir do verdadeiro Rei do universo, Aquele que controlas os demais “reis” e move todas as coisas. Será que temos tal fé em nossas vidas?

Aprendamos com a vida desse personagem tão fantástico.

Em Cristo,

Thiago Holanda.
16/01/2018.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Não somos donos de ninguém



Em 1996, Jim Carrey atuou no filme “The Cable Guy” (‘O Pentelho’, em português). Nessa comédia, ele faz o papel de um instalador que recebe a proposta de burlar o sistema e colocar alguns canais a mais na casa de um cliente por uma propina de 50 dólares. Por ser um cara extremamente solitário, o personagem entende essa proposta como um convite para a formação de uma nova amizade e, a partir daí, começa a “sufocar” o cliente oferecendo uma “amizade” extremamente invasiva, o que acaba gerando uma série de problemas e assim segue o desenrolar do filme.

O interessante do filme é lembrar de personagens reais que fizeram (ou fazem) parte da nossa vida e oferecem um tipo de amizade muito parecida. O excesso de carência emocional (muitas vezes oriunda de uma família desestruturada, ou das complicações de se viver numa grande metrópole, ou ambas[1]) de algumas pessoas as faz depositarem toda a esperança de alegria, segurança e conforto num semelhante que jamais poderá atender essas expectativas. Pessoas assim parecem querer tomar posse de tal maneira da vida dos outros que as mais insignificantes atitudes podem causar as maiores confusões.

O nome disso é “dependência emocional”, ou seja, é ancorar o barco da minha vida no porto errado. É achar que minha alegria só poderá ser satisfeita se aquela determinada pessoa se tornar uma marionete dos meus mais obscuros desejos. Por favor, entenda: isso não é amor, é escravidão. Um dependente pode ser alguém naturalmente calmo e pacífico, mas que se transtornará, caso encontre seu ídolo descumprindo seus ditames.

A maior lição que um dependente precisa aprender é a de que não somos donos de ninguém, mas parceiros de viagem. A compreensão mais correta, no meu entender, de amizade, é a de que só poderemos caminhar com alguém se estivermos dispostos a olhar para ela“de lado”. Pois olhar “de cima” ou “de baixo” é doentio e jamais será amizade verdadeira, mas possessão e escravidão.

Já acompanhei quem vive assim e superar isso é um desafio e não quero passar a imagem de que lidar com esse problema seja fácil, jamais! Mas quero abrir os olhos para entendermos que nossa vida necessita de um singificado eterno e isso só pode ser alcançado se ancorarmos em Cristo, nosso verdadeiro amigo, o único a quem estamos autorizados a olhar “de baixo”, ainda que Ele se coloque ao nosso lado.

Confiando nisso, teremos libertação de todo cativeiro relacional e viveremos os verdadeiros desfrutes que somente uma boa amizade pode dar.

Em Cristo,
Thiago Holanda.




[1] Não quero me estender nesse tópico, mas grandes metrópoles tendem a transformar os relacionamentos e levar pessoas a cultivarem valores individualistas, com alto grau de competitividade e fragilidade de vínculos. Em relação as família, entendemos que elas são as principais responsáveis por moldar nossa visão sobre os demais relacionamentos que encontraremos na vida.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Jovem, como você usa suas férias?




Estamos na metade de dezembro e quase todo mundo já entrou de férias. Que tempo bom! Para aqueles que somente estudam, é um momento especial de relaxamento e organização da vida, e mesmo aqueles que trabalham e estudam é uma oportunidade de ter as noites livres para descansar ou dar uma sacudida na vida social. Quem não gosta?

O descanso das labutas da vida foi planejado pelo próprio Deus e Ele mesmo se encarregou de dar o exemplo descansando no sétimo dia da criação. O ócio é uma oportunidade de “formatar” a mente das centenas de agendamentos que ela faz ao longo dos meses de intenso trabalho e nos ajuda a sermos mais criativos para as atividades que virão no próximo semestre.

Contudo, me preocupa a forma como alguns jovens têm gasto suas férias. Sim, é tempo de descanso e relaxamento, mas as férias, assim como tudo na vida, devem ser usadas com moderação. Vejo jovens se entregando a episódios sem fim de séries muitas vezes nada saudáveis. Quando terminam todos os episódio de todas as séries disponíveis, entregam-se ao vício de jogos online. Enjoados dos jogos, dormem interminavelmente. Quando o sono acaba, voltam ao Netflix atrás de alguma outra coisa pra assistir

Cabe refletir: as férias servem pra isso?

Um dos meus verículos favoritos é o Salmo 90.12, que diz: Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio.” Moisés reconhece que um coração sábio está diretamente ligado ao bom uso do tempo. ‘Contar os dias’ diz respeito a saber que nossa vida é demasiadamente curta para a usarmos com muitas frivolidades, e isso inclui as férias.
Sim, você deve descansar e usufruir de alguns prazeres que sua rotina normal não permite, mas tudo com bom senso e também aproveitando o tempo livre para atividades produtivas. Que tipo de atividades? Bem, que tal aumentar consideravelmente seu tempo devocional? Ou ler alguns livros? Você também pode seguir um roteiro de Estudo Bíblico Indutivo, melhorar o seu currículo com um curso profissionalizante (até mesmo online, para não ter que passar as férias pegando ônibus), aprender a trabalhar com algum software complicado, enfim, as tarefas úteis a qual você pode se dedicar são muitas, a escolha delas dependerá diretamente das suas afinidades e o contexto profissional e ministerial em que você se encontra. O que eu NÃO RECOMENDO: usar suas férias com futilidades sem fim. E acredite: a mídia sempre oferecerá isso pra você, pois o interesse da grande indústria de entretenimento é te dar conteúdo suficiente para que você se alimente de lixo até o fim da vida e nunca tenha tempo para pensar de maneira produtiva.
Filhos de Deus devem ser completamente diferentes da maioria das pessoas, inclusive no uso do tempo. Um dia nossa história chegará ao fim e você necessariamente olhará para trás e fará um balanço da sua vida e uma cruel pergunta surgirá na sua mente: “vivi de maneira significativa ou não?”. A maioria das pessoas conclui que não, e é por isso que é tão comum vermos idosos tão cheio de arrependimentos, pois descobriram (tarde demais) que usaram a vida da maneira errada. É isso que você quer para você?
Talvez você ache que eu estou exagerando, afinal, “são apenas as férias”, contudo, lembre-se: “aquilo que está mais presente na sua mente, na sua boca e no seu coração, esse é o seu deus!”.
Use suas férias com sabedoria, use seu tempo com sabedoria! Viva uma vida sábia!

Em Cristo,
Thiago Holanda.
21/12/2017.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Coisas que aprendi (e estou aprendendo) como líder de jovens...




Observação inicial: certamente muitas outras coisas são necessárias e não estão nessa lista! Esse artigo é fruto de uma experiência pessoal e ainda preciso aprender muita coisa, mas mesmo assim quero compartilhar essa pequena experiência com outros amigos ministros.

1. Você é um líder de pessoas, não de eventos e/ou projetos! Focalize na sua função pastoral e, no tempo que sobrar, coordene os projetos. Alguns líderes têm feito o sentido inverso e focado em programações sem fim usando muitas vezes desculpas horríveis como: “se deixarmos os jovens desocupados, eles vão abandonar a fé!”. Pergunto-me: que discípulos são esses que abandonam a Cristo no primeiro final de semana sem evento na igreja?

2. Discordância de líderes não é o mesmo que rebeldia. A igreja supostamente era para ser muito democrática. Ou seja, você pode discordar respeitosamente dos seus líderes, bem como outros podem (e devem!) discordar de você. Quando isso acontecer, não fique co raiva ou achando que autoridade está sento questionada (tem gente que até vai tentar fazer isso, mas é uma minoria), mas veja isso como a mão de Deus tentando corrigir algo de errado em seu ministério. Não, isso não é fácil, é bem difícil, e sempre vamos errar nesse quesito, mas reconhecer a necessidade de aprender essa lição é um grande passo.

3. Boa comunicação resolverá boa parte dos seus problemas. Sim, um líder (especialmente de jovens) sempre enfrentará muitos problemas, e dos mais diferentes possíveis. Desde uma moça que se chateou com a outra só por que recebeu um “olhar indiferente” até aquele rapaz depressivo que já tentou se matar várias vezes. Como lidar com a maioria deles? Aprendi que uma boa conversa olho no olho pode ajudar demais. Não é um remédio pra tudo, mas sempre colocará tudo em “pratos limpos” e poderá ser o primeiro passo para a solução final.

4. Leia bastante a Bíblia e, também, bons livros. Procure “andar sobre os ombros dos gigantes”. Não consigo entender como alguns líderes não se vêem como eternos aprendizes. Precisamos entender o contexto em que nossos jovens estão inseridos, estudar a Bíblia intensamente e também como autores que Deus capacitou para nos mostrar como desempenhar um bom ministério. Tem gente que alimenta preconceito com o ministros que estudam seriamente e dizem que isso é falta de fé no poder da oração (???). Para estes, sugiro um curtíssimo sermão do Spurgeon intitulado “Traga os livros” (basta buscar no Google).

5. Crie uma escala de oração onde, diariamente, você escolherá dois ou três jovens por quem interceder. Em semanas, terá orado por todos os jovens! Essa fórmula você aprende diretamente das cartas de Paulo. Vemos o apóstolo dos gentios comentando o quanto ele intercede por todos os irmãos em todas as igrejas, incluindo aquelas que ele nunca visitou!

6. Crie uma escala de visitas pastorais. Procure visitar jovens em suas casas ou sair com eles afim de criar vínculos afetivos. Nem todo mundo vai gostar muito disso, mas a maioria vai! Ser visitado demonstra dedicação a vida daquela pessoa e também conhecer um pouco mais da sua vida familiar. Presenteie seus jovens com esse tempo de qualidade.

7. Invista em grupos de estudos bíblicos ou seminários. Incentive seus jovens a lerem muito a Bíblia! Promova encontros de estudo, oficinas de treinamento e procure, com seu próprio exemplo, mostrar a necessidade de amar as Escrituras.

8. Os pais são seus grandes aliados, procure conhece-los e respeitá-los. Tenha um bom relacionamento com eles e procure sempre ratificar a autoridade da família. Contudo, haverão situações em que os pais cristãos darão conselhos antibíblicos (já passei por isso), e situações como essas são extremamente delicadas. Peça sabedoria a Deus para agir nessas situações e, se possível, procure a orientação de líderes mais experientes.

9. Nunca esqueça: você sempre pode aprender algo novo!

Em Cristo
Thiago Holanda
15/12/2017.